Segunda-Feira, 22 de Maio de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Sem saída
O governo municipal está em maus lençóis. A crise financeira que estrangula o caixa da prefeitura não tem deixado alternativas à administração senão cortar despesas de onde for possível. A escolha, entretanto, tem sido preservar o ambiente político interno, mesmo que se sacrifiquem as relações com o funcionalismo e com a população da cidade. Exemplo disso é que não está sendo feito nenhum movimento efetivo no sentido de reduzir a quantidade desproporcional de cargos de confiança. O corte de vagas anunciadas recentemente diz respeito à saída do PTB do governo, que entregou os cargos que eram ocupados por indicação dos vereadores Gerson Luís, Neto Girelli e Nadir Machado. Não foi, portanto, uma iniciativa do governo, como tentou se difundir, que teria feito um gesto para mostrar disposição de “cortar na própria carne”. Ao contrário, foi mero oportunismo. Os cargos ocupados por filiados do PT e dos partidos que ainda fazem parte da base do governo permanecem intocados.

Vara curta
A decisão desta semana, anunciada pela prefeitura, de suspender o reajuste trimestral dos salários dos servidores, mexeu num vespeiro. O mecanismo, implementado na gestão do ex-prefeito Carlos Brum, é considerado direito adquirido pelos servidores, já habituados a ter seus vencimentos corrigidos a cada três meses pela inflação do período. Neste momento de aperto, contudo, o prefeito Serginho optou por segurar a correção e, com isso, garantir uma pequena economia ao longo do ano, para ser usada em gastos mais visíveis para a população, em razão de ser um ano eleitoral. Se mantida a decisão, o reajuste voltaria a ser anual e ficaria para o ano que vem, no colo do próximo prefeito. O sindicato dos servidores está em pé de guerra.

Cofre vazio
Em outra ofensiva, Serginho foi tentar algum recurso em Brasília. Conversou nesta semana com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, acompanhado do deputado federal Henrique Fontana. Pretendeu garantir dinheiro para pavimentar ou recuperar algumas ruas na cidade. Missão difícil, dada a falência das contas do governo federal, que será agravada por mais um ano de encolhimento da economia. Previsões mais otimistas apontam para uma redução de 2% do PIB em 2016, enquanto há economistas que já falam em -4%. De qualquer forma, esta recessão, que entra no terceiro ano consecutivo, vem impactando fortemente na arrecadação, o que deixa a situação do governo federal ainda mais preocupante. E, por consequência, dos estados e municípios que esperavam sobreviver com as migalhas caídas de Brasília.

Miopia
Alvorada não foge à regra. Sem capacidade própria de geração de recursos, em razão da limitada atividade econômica do município e, ao mesmo tempo, da grande demanda de gastos públicos por causa da alta taxa populacional, se habituou a depender dos repasses das esferas superiores. A falta de planejamento e de visão de longo prazo agravou o drama. Há três anos, quando este governo assumiu o comando da cidade, não fez o dever de casa. Não se empenhou em desenvolver projetos para captar recursos externos nem para aumentar a arrecadação interna. E, pior, não trabalhou com a possibilidade de uma crise econômica. Apenas enxergou a necessidade imediata de empregar os companheiros e amigos do centro do poder. Típico de gestores amadores. Agora, no desespero, buscam cortar gastos, desde que não na própria carne, e vão a Brasília com o pires na mão, como sendo as últimas opções para tentar mostrar algum serviço ao eleitor antes de outubro.

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