Domingo, 19 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Enquanto a nação agoniza, brincam de sobreviver no poder.
Que semana! Temos vivido alguns dos dias mais tensos e bizarros da história da República. Lula é ministro. Já não é mais. Tenta escapar de Sergio Moro, e Gilmar Mendes (STF) manda que ele seja julgado por Moro. Governo recorre... Opa!! Governo recorre? Sim, companheiro. O governo, através da Advocacia Geral da União, recorre da decisão de Gilmar Mendes em defesa de Lula, mesmo que Lula não seja do governo. O PT não tem limites em usar o Estado em seu favor. Já foi longe demais essa sua mania de confundir partido, governo e Estado. Ou porque são muito ingênuos, ou porque não são nada ingênuos, insistem em fazer de conta que é tudo a mesma coisa. Tomam para si, como propriedade privada, o que é da nação, e deveria estar acima de qualquer governo, mandato ou partido.

Sem limites
A desfaçatez é tanta que, além de mobilizar toda estrutura governamental e estatal para salvar a figura de Lula da Silva, enquanto o país mergulha em um caos sem precedentes, buscam lançar seus tentáculos até ao estrangeiro. Na última sexta, um diplomata petista lotado no Itamaraty, Milton Rondó Filho, enviou a todas as embaixadas e consulados brasileiros no exterior um telegrama alertando para o “risco de um golpe”, e solicitando que cada unidade designasse um diplomata local para levar a mensagem às regiões de sua área de atuação, visando buscar apoios para o governo de Dilma Rousseff. O texto do telegrama, semelhante a um panfleto de propaganda partidária, finalizava dizendo “Não ao golpe! Nossa luta continua!”. Uma verdadeira vergonha para a diplomacia brasileira. Horas depois do envio, como houve muitas reclamações das embaixadas que receberam o telegrama, veio uma ordem superior, do Ministério das Relações Internacionais, mandando desconsiderar a mensagem. E não é que Milton voltou a mandar mais um telegrama mesmo assim? E com o mesmo teor, reforçando a “luta contra o golpe”... Essa gente enlouqueceu de vez?

Estranho
O juiz Sergio Moro decretou sigilo para a lista, vazada na quarta sem autorização judicial, com cerca de 200 nomes de políticos que receberam dinheiro da Odebrecht, inclusive vários gaúchos de peso. Muitas pessoas dali têm a tal prerrogativa de foro, ou foro privilegiado. Só podem ser julgadas e ter seus nomes divulgados pelo STF ou STJ. Por que a PF vazou o que não devia ser vazado? Amadorismo ou tentativa proposital de certos elementos de criar embaraços a Sergio Moro e ao MPF? Barbeiragem ou sabotagem? Vivemos um momento muito mais delicado do que se imagina.

No pincel
Por aqui, causou surpresa o anúncio do vereador Schumacher de que não vai mais para o PMDB, como vinha anunciando há meses, mas vai permanecer no PT. Muitos potenciais apoiadores, que gostaram da ideia de vê-lo na oposição, ficaram desamparados. Metade do PMDB não aceitava seu nome na legenda, muito menos concordava em oferecer a vaga de candidato a prefeito a um neófito. Preferiam um nome da casa para o posto. Este foi um dos fatores para a decisão. Se insistisse, mesmo com a bênção do presidente Appolo, o partido começaria a campanha rachado e enfraquecido. Mas há outras motivações. Schumacher e o PT chegaram a um acordo que aproxima o vereador de seu sonho antigo, de concorrer a prefeito, sem o desgaste de uma troca de partido. Mesmo que tenha que enfrentar certo constrangimento nessa manobra de reaproximação, depois de ter rompido publicamente e ter passado anos batendo forte no partido que quase abandonou. Mas nada que um projeto eleitoral não consiga contornar.

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