Quinta-Feira, 27 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Descendo a rampa
Dilma Rousseff já deveria estar limpando as gavetas. Faltam menos de duas semanas para ela ser afastada da presidência. O relatório da comissão especial do Senado que analisa o processo do impeachment, a ser apresentado ao plenário até 11 de maio, deverá confirmar a decisão da Câmara e ser aprovado pela maioria dos senadores. Neste primeiro momento, é necessária apenas maioria simples, ou seja, 41 senadores, para que seja iniciado o julgamento, que terá prazo máximo de 180 dias, sendo Dilma afastada neste período, assumindo em seu lugar o vice Michel Temer. Durante este prazo, serão ouvidas acusação e defesa, e analisadas as provas, para ao final o Senado, em julgamento presidido pelo presidente do STF, votar se cassa em definitivo o mandato de Dilma, ou se decide que ela permanece. Para tanto, serão necessários dois terços dos votos, ou 54 dos 81 senadores. A tendência é que se repita o ocorrido na Câmara dos Deputados, onde mais do que os dois terços necessários entenderam que Dilma não deve mais estar à frente do governo brasileiro.

Sem vergonha
Dilma, afastada do comando do país e da máquina governamental, perderá muito de seu poder de fogo, que já não era lá essas coisas. Na Câmara, mesmo distribuindo cargos e altos valores, com Lula liderando as negociatas em um escritório improvisado no luxuoso hotel Royal Tulip em Brasília, não se conseguiu impedir que mais de dois terços dos deputados votassem pela queda de Dilma e do PT. Seu poder de barganha, que já era dos piores, vai evaporar quando desocupar a cadeira da presidência. Será muito difícil convencer senadores a manterem algum apoio. À exceção, claro, do próprio PT e do PCdoB, como ocorreu na câmara. O Partido dos Trabalhadores e seus satélites, como os comunistas e o PSOL, cerraram fileiras para defender Dilma. Todos os seus deputados foram contra o impeachment, avalizando os crimes da presidente e fazendo pouco caso do maior esquema de corrupção da história, que preferem relativizar sob o risível discurso do “golpe” da direita reacionária contra a esquerda redentora, porque “as elites” não gostam que pobre viaje de avião e frequente shoppings e universidades. O jeito que essa gente esperneia é sem limites, e sem vergonha.

Padrão petista
Dilma já reconheceu que seu afastamento é inevitável, e em seus últimos dias prepara um ambiente que consiga criar um mínimo de simpatia sobre sua gestão e, ao mesmo tempo, crie problemas para o próximo governo, que começa em duas semanas. Estão preparando algumas medidas populistas e que aumentem os gastos e as dificuldades orçamentárias do sucessor, tal qual Tarso Genro fez aqui no RS ao final de seu trágico mandato. Típico padrão petista. Enquanto estiver afastada, entretanto, ela pretende continuar usando as instalações dos Palácios do Planalto e da Alvorada, e toda a estrutura da Presidência, inclusive o avião presidencial, com o qual, às nossas custas, quer percorrer o Brasil para participar de manifestações organizadas pelo PT e seus partidos satélites, e viajar pelo mundo difundindo a ideia de que está sendo vítima de um “golpe”. Dilma, Lula e o PT agarram-se com unhas e dentes ao poder, mesmo que para isso a nação inteira agonize por meses ou anos a fio. Pior ainda é lavar a roupa suja lá no exterior. Esse discurso de “golpe”, mesmo já tendo caído no ridículo, continua sendo repetido como um mantra de lunáticos. É uma ofensa aos quase 400 deputados que, representando o desejo da sociedade brasileira, votaram “sim” pelo impeachment. É uma ofensa ao STF, que avalizou os ritos que estão sendo adotados. É uma ofensa ao povo brasileiro, do qual mais de 80% quer a saída imediata de Dilma. É uma ofensa à à Constituição, que está sendo rigorosamente observada. É uma cusparada na democracia brasileira.

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