Segunda-Feira, 27 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Antes tarde
Dilma Rousseff, aquela que ainda se diz presidente, afirmou na tarde de ontem, logo após saber que o STF havia suspendido o mandato do deputado Eduardo Cunha, que essa era uma boa notícia, sentenciando: “Antes tarde do que nunca”. O deputado, em entrevista coletiva no final da tarde, respondeu com a mesma frase em relação ao afastamento de Dilma, previsto para a próxima semana. Os brasileiros que estão ansiosos para o país retomar o seu caminho e começar a higienizar o ambiente político, dizem a mesma coisa em relação aos dois, e a tantos outros que estão na fila.

Distração
Dilma disse que Cunha não tinha legitimidade para aprovar o impeachment. O mesmo discurso é repetido por seus defensores. Esquecem, entretanto, que na Câmara o pedido de impeachment foi acolhido pelo voto de 367 deputados contra 137. Não foi Cunha que condenou Dilma, como tentam convencer a opinião pública. Foi a esmagadora maioria dos deputados, assim como se confirmará por maioria folgada dos senadores.

Golpe?
A cada pronunciamento, petistas das mais variadas categorias não se cansam nem se envergonham de repetir a palavra “golpe” quando se referem ao impeachment. No jogo do vale-tudo pelo poder, não há limites. A estratégia (como, aliás, costuma ser o cotidiano dessa gente) é repetir uma mentira tantas vezes até que seja tida como verdade. Mesmo que seja preciso passar pelo ridículo de chamar de golpe um processo em que é amplamente garantido o direito à defesa e ao contraditório, em todas as instâncias, e seja rigorosamente respeitada a Constituição e demais regras vigentes em todos os procedimentos, inclusive com o aval do Supremo Tribunal Federal e do Ministério Público Federal, entre outras instituições da mais alta respeitabilidade. Golpe, na verdade, é o que querem fazer ao não permitir o livre funcionamento das instituições, só porque contraria seus interesses e aborta seus projetos criminosos. Golpe foi o que fizeram ao país, que finalmente, antes tarde do que nunca, começa a ser combatido, e cujos autores e agentes passam a ser responsabilizados.

Inversão
José Eduardo Cardozo, o ex-ministro da Justiça e agora Advogado Geral da União, como bom petista, está cumprindo um papel curioso. Em vez de defender os interesses da União, está defendendo com unhas, dentes, esperneio e muita saliva sua chefe Dilma Rousseff, que, olha só!, está sendo acusada de cometer crimes contra... a União! Não é curioso?

Cartola
A Justiça Federal publicou nesta quinta a sentença de absolvição dos réus que haviam sido acusados de desvios e outros crimes na chamada Operação Cartola, deflagrada durante o segundo mandato do ex-prefeito Carlos Brum. Todos os 18 envolvidos foram inocentados, porque a Justiça não encontrou evidências sobre as irregularidades que haviam sido denunciadas. Na época, quando o governador do Estado era Tarso Genro (PT), a polícia Civil e o Ministério Público organizaram uma grande operação, com buscas e apreensões e centenas de agentes, que comprometeu fortemente a imagem da administração municipal. A repercussão do episódio foi um dos principais motivos para que Brum não tivesse conseguido eleger seu sucessor, Professor Borba (PTB), que perdeu a eleição de 2012 por margem estreita para o atual prefeito, Professor Serginho (PT). Ainda cabe recurso da decisão.

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