Segunda-Feira, 22 de Maio de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Dos males, o menor
O afastamento de Dilma Rousseff da presidência foi só um passo. Não encerra a questão e não é o fim dos problemas do Brasil. Um passo importante, é verdade, mas por si só insuficiente. Há um longo caminho a ser percorrido até que o país seja recolocado nos trilhos. Primeiro, porque o estrago que o petismo fez ao Brasil levará muitos anos para ser consertado, se for. Segundo, porque o governo de Michel Temer, apesar de ter iniciado com medidas animadoras, como a redução de ministérios e o anúncio de cortes expressivos dos cargos em comissão, não fará milagres e nem conseguirá resultados significativos no curto prazo.

Dilma Rousseff se tornou mais famosa pela ruína da economia brasileira e a deterioração das contas públicas do que por eventuais benefícios que tenha gerado ao país. Antes de ser eleita, a propaganda em torno de seu nome falava de uma pessoa altamente capacitada como gestora e grande especialista do setor energético. O resultado de sua gestão é o que conhecemos. O setor energético, precisamente, atravessa sua pior crise na história, graças às sucessivas intervenções do governo na área. Medidas populistas quebraram as geradoras e distribuidoras de energia, e a conta foi parar no nosso bolso. A indústria do álcool está de ressaca. O que um dia já foi uma grande conquista brasileira, exemplo para o mundo, o combustível “verde” e inesgotável, hoje está de porre.
Programas de fomento em diversas áreas, como infraestrutura e educação, sempre anunciados com pompa e galhardia, revelaram-se vôos de galinha. As obras dos diversos PACs, de quem Lula dizia que Dilma era a mãe, acabaram servindo mais para gerar contratos superfaturados e belas fotos para campanha do que para impulsionar a infraestrutura do país, tão atrasada em relação ao resto do mundo. Na educação, é triste ver como o Pronatec e o Ciência Sem Fronteiras, entre outros, perderam fôlego, e recursos. Essas dificuldades que se verificam hoje, que não são pouca coisa, se devem à irresponsabilidade com que se geriram os recursos públicos, o que é típico de gestores ruins.

Ocorre que Dilma tinha uma prioridade, que não era o Brasil. Era manter o PT no poder. E para isso não foram medidos esforços, e pouco importavam os interesses da nação. O petismo tem como prática a tomada do poder e seu aparelhamento, para dele se servir e nele se perpetuar. O inchaço da máquina pública, onde é abrigada uma infinidade de filiados e simpatizantes, o uso das estruturas de governo, sustentadas com o dinheiro público, para fortalecer o partido e ampliar o poder de suas lideranças, e a proliferação de medidas de caráter populista para angariar a simpatia e os votos do povo, são algumas das táticas que o petismo empregou sem pudor, na mesma medida em que, sem vergonha, tornou rotineiro e banal o achaque às empresas a quem destinava voluptuosos contratos públicos, e com quem estabeleceu um padrão de partilha do que, juntos, roubavam do patrimônio do povo brasileiro.

As “pedaladas fiscais”, dentro de um amplo contexto de desastrosa condução das contas públicas, levaram aos frangalhos a economia brasileira. E são, por si só, suficientes para cassar um mandato presidencial, porque assim está expresso na Constituição, ainda que com outro nome. Esse foi o entendimento dos deputados e dos senadores, democraticamente eleitos para representar a sociedade e cumprir este papel, de julgar os atos da presidência da República. Mas Dilma foi afastada pelo “conjunto da obra”, cujos efeitos ainda sentiremos por muito tempo.

Michel Temer e toda a sua equipe, que não é exatamente a mais idônea, já que conta com ministros que também são investigados em suspeitas de corrupção, não será o salvador da pátria. Mas representa um mal muito menor do que o petismo e suas práticas, o que já é algum alento, nesses tempos em que até nossa esperança parecia ter sido também roubada.

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