Quarta-Feira, 26 de Abril de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Dia D
A Comissão do impeachment no Senado definiu o cronograma de trabalho, que conta com muitos depoimentos de acusação e defesa, análise de provas, apresentação de relatório, votação e uma série de outros procedimentos. Se não houver grandes novidades no caminho, e se as chicanas dos defensores de Dilma Rousseff continuarem a ser apenas o esperneio de sempre, a votação definitiva sobre a destituição da (ex)presidente está prevista para iniciar em 2 de agosto, presidida por Ricardo Lewandowski.

Tendência
As primeiras medidas anunciadas pelo presidente Michel Temer animaram o mercado, e boa parte da sociedade. Redução de gastos públicos e enxugamento da máquina administrativa, além do desaparelhamento ideológico do governo, através da exoneração em massa de militantes partidários, e a nova orientação da diplomacia brasileira, que vai se descolar do bolivarianismo e voltar sua atenção para o mundo desenvolvido, são atitudes alinhadas com o que a sociedade vinha manifestando, e devem, aos poucos, colocar o Brasil novamente na trilha do desenvolvimento.

Derrapada
Michel Temer assumiu o risco de comprometer a imagem e a credibilidade de seu governo ao nomear como ministros pessoas envolvidas em investigações de corrupção. Deveria ter sido mais rigoroso, mas, para garantir certa “governabilidade”, acabou trazendo para perto de seu gabinete alguns nomes um tanto inadequados. Romero Jucá foi o primeiro a cair, depois da revelação da conversa que teve com Sérgio Machado, ex-diretor da Transpetro, e deverão vir outros. Mas o fato positivo é que Temer não blindou Jucá, nem tentou desqualificar as acusações, como costumava ocorrer nos governos petistas. Se a prática se mantiver, já terá havido um ganho importante em decorrência da troca de governo.

Novos tempos
A propósito, não foi só a troca de governo que sinaliza que estamos iniciando uma nova fase na história do Brasil. A destituição do petismo foi muito bem-vinda, em razão do estrago que fez à nação, e não apenas com relação à monstruosa corrupção promovida em sua desastrosa passagem por Brasília. Mas o mais importante é que o processo de depuração continua. A operação Lava Jato não para, nem outras investigações tocadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Nomes tarimbados, como Renan Calheiros e outros tantos, estão enfileirados, como num dominó, esperando sua vez de serem apanhados.

Comparando
Um ministro de Temer caiu um dia após a revelação de conversas impróprias por telefone. Já na época de Dilma, após a revelação de grampo, o envolvido foi nomeado ministro.

Prioridades
Mais da metade das residências do Brasil não conta com coleta de esgoto. Mas certa militância faz questão de que haja um Ministério da Cultura, não de Saneamento Básico.

COMENTÁRIOS ()