Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Nossa tarefa
O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), em artigo desta semana, fez um belo alerta: “A Operação Lava Jato pode ajudar a consertar o crime de alguns corruptos, mas não vai colocar o Brasil nos rumos de um futuro sem corrupção. Um juiz pode prender um político corrupto, mas não elege um político honesto; esta tarefa é do eleitor.” Com mais uma eleição se aproximando, vale a reflexão. Estamos preparados, temos informação suficiente para escolhermos bem nossos próximos representantes? Conhecemos aqueles em quem vamos votar? Confiamos neles? Vamos escolher de qualquer maneira, sem muita responsabilidade, esperando que mais tarde a justiça se encarregue de mostrar quem são os bons e quem não são, ou vamos nós mesmos definir isso já nas urnas?

Pesos e medidas
Os argumentos do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, para pedir ao STF a prisão de José Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros, por supostamente tentarem obstruir a Justiça e inviabilizar a continuidade da operação Lava Jato, parecem consistentes. O curioso é queele ainda não tenha pedido a prisão de Lula, Mercadante, Jaques Wagner e a própria Dilma Rousseff, dado o volume de provas já conhecidas e de denúncias colhidas em acordos de colaboração premiada, tanto sobre obstrução da Justiça quanto sobre corrupção. Há quem considere a atuação de Janot como uma manobra para poupar caciques petistas, desviando o foco para figurões de outros partidos, e até um jeito de viabilizar o retorno de Dilma à presidência. Se Renan Calheiros for afastado da presidência do Senado, assume o petista Jorge Viana (AC), que poderá interferir no julgamento do impeachment. Além disso, seriam dois peemedebistas a menos para votar o afastamento definitivo de Dilma ao final do processo.

Fim da linha
Foi fechado mais um acordo de colaboração com a Lava Jato. Zwi Skornicki contou que o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, lhe pediu US$ 4,5 milhões (R$ 15,2 milhões) para ajudar a financiar a campanha pela reeleição de Dilma Rousseff, em 2014. O dinheiro foi pago no exterior, depositado em uma conta da Suíça, diretamente ao marqueteiro da campanha, João Santana. A mulher dele já havia confessado essa história. Marcelo Odebrecht já havia mencionado uma certa “cta suíça” e o risco de essa informação ser associada à campanha de Dilma. Enfim, só mais uma entre tantas denúncias envolvendo a ex-presidente e seu partido. Material suficiente para cassar o registro do PT e ainda processar Dilma e os demais envolvidos, o que poderá acabar resultando até em prisão.

Enchentes
A Audiência Pública promovida pela Metroplan na noite de quarta discutiu as cheias que todo o ano afligem a população de Alvorada. Foram apresentados os estudos que estão sendo feitos para embasar futuras obras. O governo federal disponibilizou R$ 280 milhões, que estão esperando há anos para serem aplicados, enquanto repetem-se as desculpas oficiais para justificar a inércia das sucessivas gestões. Não há previsão de início nem muito menos de conclusão de obras, nem garantia de que vão mesmo acontecer. A prefeitura lava as mãos, dizendo que a solução está na mão da Metroplan. Vereadores, que historicamente são omissos e não cumprem sua função de fiscalizadores do Executivo, preocupam-se em elaborar bons discursos com vistas às próximas eleições. Enfim, teremos mais um inverno com alagamentos neste ano. E no próximo. E no seguinte...

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