Segunda-Feira, 27 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Mais do mesmo
O vereador Appolo, pré-candidato a prefeito pelo PMDB, afirmou que está aberto para qualquer coligação nestas eleições. Não descarta nem mesmo unir-se ao PT, cuja administração vinha sendo alvo de constantes críticas dos peemedebistas. Appolo diz que quer manter a cabeça de chapa, e qualquer outro apoio poderia mirar apenas a vaga de vice. Disse também que vem conversando com dirigentes de diferentes siglas, independentemente de suas linhas ideológicas ou posicionamentos em relação à atual administração.

Quem te viu...
Há poucos meses, o discurso era mais contundente contra o governo do Professor Serginho. Falava-se dentro do PMDB em varrer o PT da prefeitura, por sua gestão desastrosa. Mas agora, com as eleições chegando perto, começa a ficar evidente que o propósito está mais para conquistar o poder e seus privilégios, não importando a que preço ou as alianças e os conchavos para se chegar a esse fim, do que salvar a cidade, como era o discurso anterior. Para um partido e um candidato que pretendesse, de fato, fazer oposição ao atual governo, contrapondo-se ao seu modelo de gestão e propondo alternativas diferenciadas para retomar o desenvolvimento da cidade, não parece razoável cogitar uma aliança justamente com o partido que está no poder. Caso o propósito fosse realmente mudar o modo de governar a cidade, como se faria isso ao lado dos mesmos de antes? O que Appolo e o PMDB imaginam que fariam os petistas? Que deixariam de acreditar no que sempre defenderam e passariam, da noite para o dia de 1º de janeiro, a condenar os próprios atos da gestão anterior e adotar novas práticas no novo mandato? Iriam se converter, num ato milagroso, em críticos do conhecido ímpeto petista pelo aparelhamento da administração pública e do loteamento de cargos? Passariam a ser submissos coadjuvantes de um novo formato de governo?

Tradição
A bem da verdade, esse tipo de comportamento errático não surpreende. Assistimos ao PDT e ao PTB, assim que aderiram ao governo do PT logo após perderem as últimas eleições, seguirem o discurso governista e repetirem pesadas críticas ao mandato do ex-prefeito Carlos Brum, que tinha à frente justamente o PTB e o PDT. O argumento mais fácil para o Professor Serginho, ao justificar a inércia de sua gestão, era colocar a culpa na administração anterior, coisa que pedetistas e petebistas não tiveram qualquer pudor em reproduzir. Era o preço a pagar pelos cargos que conquistaram no novo governo. E mais recentemente, com a proximidade das eleições, eis que voltam a se posicionar como críticos do PT, com discursos inflamados sobre a atual gestão, para parecerem alinhados com a opinião pública, ainda que nos bastidores mantenham diálogos bem próximos com os petistas, deixando as portas abertas para uma eventual coligação.

Vale tudo
As coligações e a posição definitiva desses partidos vai depender do andar da carruagem, e da muita água que ainda tem para rolar enquanto seguem as negociações. A imagem do PT vai de mal a pior, a do governo do Professor Serginho idem. Mas todos os partidos sabem que o PT tem a máquina na mão, e ainda certa capacidade de mobilização de sua militância, o que poderia fazer alguma diferença na campanha. Daí a lógica da posição de Appolo e das lideranças do PDT, PTB e outras siglas que, mantendo a tradição de Alvorada, revezam-se no poder há décadas com o propósito prioritário de, simplesmente, estarem no poder. Para isso qualquer aliança serve. Qualquer acordo é válido. Nenhum preço é alto demais.

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