Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Que rombo?
O governo de Michel Temer vem anunciando, mesmo antes de assumir a interinidade, que as contas do governo estão pra lá de vermelhas. Estima-se um rombo de mais de 120 bilhões de reais até o final de 2016, em consequência da gestão desastrosa dos últimos anos sob o comando de Dilma Rousseff. Mas mesmo assim, o Senado autorizou, e Temer deverá sancionar, um reajuste de 44% nos salários do Judiciário. Em razão do efeito cascata, que estenderá esses reajustes a várias categorias tanto no judiciário federal quanto nos Estados, e depois aumentará a pressão sobre a equivalência de reajustes nos legislativos e nos executivos, federais, estaduais e municipais, tanto a União quanto os Estados podem ir preparando mais algumas pás, para cavar seus buracos orçamentários ainda mais fundo.

Crise pra quem?
O corporativismo de determinados segmentos do funcionalismo público ultrapassa as raias da irresponsabilidade. Os próprios interesses são sempre colocados acima dos interesses coletivos. Especialmente no judiciário, onde a média salarial dos servidores é expressivamente superior ao que se verifica em atividades semelhantes na iniciativa privada, e mesmo em relação aos outros poderes, pode até ser legal a reivindicação de reajustes salariais. Mas não é oportuna. Não agora. O país enfrenta a pior crise econômica em décadas. Empresas fecham às centenas, o desemprego avança firme, o subemprego e a atividade informal ganham terreno. E nem se cogita, na iniciativa privada, sonhar com “estabilidade no emprego” e outras garantias somente concedidas a essas castas de privilegiados do setor público. Mas mesmo assim seguem insaciáveis. Com a farinha pouca, quase escassa, o seu pirão precisa ser sempre servido primeiro.

Teto e piso
Enquanto isso, outras categorias amargam permanente arrocho em seus vencimentos, especialmente em setores essenciais para a sociedade, como a educação e a segurança. Enquanto magistrados e assemelhados se esforçam para empurrar sempre mais para cima o seu teto salarial, professores e policiais choram misérias para terem garantido ao menos o seu piso. Pergunte-se à sociedade que paga todos esses salários, os vultosos e os miseráveis, quais dessas categorias lhe são essenciais. De quem mais a sociedade depende para o seu bem-estar. Quem mais dá algum retorno aos pagadores de impostos, ou ao menos tem o potencial para fazê-lo. A resposta parecerá óbvia. Menos aos próprios privilegiados, essa casta de abastados que se lambuzam às custas do povo com seus gordos salários, vivendo em outra realidade que não é a do povo brasileiro.

Nonsense
O secretário estadual de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Fábio de Oliveira Branco, palestrou nesta quinta na ACIAL, durante almoço promovido pela Associação. Entre outros assuntos, enquanto desenhava um panorama da economia do Estado, referiu-se ao orçamento do governo gaúcho, que levará ainda muito tempo para retornar ao ponto de equilíbrio. Atualmente estima-se um déficit de R$ 10 bilhões por ano, ou seja, o Estado gasta muito mais do que arrecada. Chegamos a esse ponto em decorrência de uma sucessão de ações equivocadas nos governos anteriores, e um dos principais problemas reside, justamente, no funcionalismo, que hoje consome mais de 80% da receita, pagando mais de 50% de funcionários inativos e pensionistas. Só mesmo no Brasil, com sua cultura política assistencialista, corporativista e irresponsável, para se chegar a esses absurdos.

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