Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2017 |

Colunista


Espantando a Zebra


César Freitas


cesar.gfreitas@yahoo.com.br


Listão
Alvorada conta com 18 nomes concorrendo a deputado estadual. Com os votos dos eleitores daqui seria possível eleger três, caso todos optassem por candidatos locais e não destinassem seus votos a nomes de fora, que, em alguns casos, não passam de figuras famosas que sequer conhecem a cidade e suas demandas. Todavia, com uma lista de 18 nomes disputando a confiança do eleitor alvoradense, aumentam as chances de não se eleger nenhum.

Tiro no pé
Claro que há nomes com maior potencial, que já tem certa trajetória na política e seus nomes são lembrados por mais gente, o que aumenta suas chances, mas é inegável que suas votações ficam prejudicadas quando o número de concorrentes locais é maior. Quem perde com isso é a cidade, que diminui suas chances de ter alguém na Assembleia para representá-la e buscar algum investimento para o desenvolvimento daqui. Esta, aliás, é uma das estratégias com as quais alguns partidos lançam candidatos, mesmo sabendo que não há chances de sucesso: tirar votos de candidatos de partidos opostos. Não importam os interesses da cidade, mas os do partido.

Propaganda antecipada
Outra estratégia é apresentar candidaturas que se aproveitem da exposição para ter seus nomes tornados conhecidos, com vistas à próxima eleição, quando pleitearão uma vaga na Câmara de Vereadores. Ou seja, campanha política para deputado, ou mesmo governador, é, na verdade, campanha antecipada para vereador.

Perda de tempo
Esse tipo de prática não contribui para o aperfeiçoamento da democracia. Ao contrário, candidatos “nanicos” e sabidamente sem potencial acabam por ocupar tempo e espaço preciosos que poderiam ser melhor explorados para a apresentação de ideias e propostas reais, sérias, e que tivessem alguma chance de ser levadas adiante. O mesmo ocorre nas corridas ao Piratini e ao Planalto. Assistir a debates entre oito candidatos a governador chega a ser desanimador. Da mesma forma os debates entre os candidatos à presidência deverão exigir boa dose de tolerância. Além dos três nomes com chances de chegar ao segundo turno, os outros oito postulantes ficam parecendo meros aventureiros com necessidade de manter seus egos inflados. Ou talvez possam também estar a serviço de certas estratégias, como a de dispersar os votos da oposição, por exemplo, ou simplesmente movimentar algum dinheiro do fundo partidário e de doações de campanha.

Liberdade de expressão
Depois da polêmica do Santander e da consultoria Empiricus, que foram amordaçados pelo governo ao manifestarem suas opiniões sobre o cenário econômico, tem gente se perguntando se Dilma e Lula conseguirão também fazer demitir editores da conceituada revista inglesa The Economist, analistas do banco alemão Deutsche Bank, da agência internacional de classificação de risco Standard & Poor's e de tantas outras instituições que vem alertando o mercado e seus clientes sobre a deterioração da economia brasileira nos últimos anos, e sobre a iminência de uma forte crise. Mas se analistas continuarem a manifestar suas opiniões, irão acabar engordando as estatísticas de desemprego?

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