Segunda-Feira, 16 de Outubro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Guerra do tráfico

Os assassinatos que vem ocorrendo na Região Metropolitana, em larga escala, são o resultado de uma guerra pelo poder no mundo do tráfico, que está enraizado nas comunidades, onde há domínio de grupos criminosos, os quais disputam territórios.

Além dos espaços já dominados, há expansão para outras regiões, resultado do aumento de consumo de drogas e falta de fiscalização na entrada dos entorpecentes no Rio Grande do Sul, permitindo o surgimento de novos pontos para fornecimento de drogas aos consumidores.

As comunidades mais carentes são os pontos onde os líderes costumam instalar suas bases, auxiliados por muitos moradores, pois estes dependem do dinheiro do tráfico para suprir muitas de suas necessidades, com o recrutamento de vários adolescentes para auxiliarem nas ações criminosas.

Muitos líderes são mortos pelos rivais, surgindo novas lideranças que se impõem pela força e pelo medo, com cada vez mais agressividade para manter o poder, intimidando os moradores das comunidades e controlando a circulação de pessoas e veículos.

Os líderes dos diversos grupos determinam a morte de rivais e os confrontos ocorrem nas proximidades dos pontos de tráfico das cidades, em meio às residências ou nas ruas, o que determina muitas mortes.

À consequente morte de integrantes dos grupos rivais somam-se as mortes de pessoas inocentes e trabalhadoras, muitas alheias à disputa pelo domínio das áreas, numa crescente onda de violência.
Uma realidade que não tem perspectiva de mudança no curto prazo, pois faltam investimentos do poder público que beneficiem as comunidades, melhorando as condições de saneamento, trabalho e educação, afastando adolescente do mundo do crime.

As ações policiais são insuficientes, pois as polícias estão com efetivos defasados e a legislação não coíbe as ações dos traficantes, pois mesmo presos conseguem manter seus domínios sobre as áreas do tráfico, com constante embate com outros grupos, numa guerra que não tem previsão de acabar.

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