Segunda-Feira, 18 de Dezembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Cuidando de quem se prende

A situação caótica da segurança pública, na área do encarceramento de presos, no Rio Grande do Sul parece não ter mais fim, pois todos os dias aparecem novas maneiras de guardar os presos que esperam vagas no sistema prisional.

Já tivemos um início de governo recebendo um Presídio Central com menos 300 vagas, resultado de uma ação irresponsável, com a demolição de um pavilhão do complexo prisional, sem previsão de local para repor tais vagas.

Então surgiram as primeiras superlotações das celas das Delegacias de Pronto Atendimento, onde presos deveriam permanecer alguns dias, passaram a aguardar por prazos maiores, sem estrutura de higiene e alimentação.

Depois vieram as viaturas nas frentes das delegacias, com presos algemados até em cestas de lixo, sendo custodiados por brigaidanos, que inclusive tinham que providenciar água para os que aguardavam para entrar nas celas provisórias.

Retiraram as viaturas da frente das delegacias, colocando em prédios públicos que poderiam abrigar os veículos, como locais de detenção provisória, sendo ressuscitado até o Trovão Azul da Susepe, um ônibus abandonado, para acomodar os presos, novamente sem condições mínimas de higiene e de alimentação, inclusive para os que faziam à custódia.

Uma reforma em prédios públicos abandonados da segurança pública foi realizada para receber 87 presos, com anúncio oficial de que não haveria mais presos nas delegacias e nem em viaturas.
Passados alguns meses, as viaturas da Brigada Militar voltaram aos pátios das delegacias, com presos amontoados e algemados em qualquer objeto para não fugirem.

Os desvios de função acontecem com o consentimento das autoridades, com policiais civis e militares atuando como carcereiros sem o complexo prisional, abandonando a investigação e o policiamento ostensivo.

Enquanto isso a obra do Presídio de Canoas, que deveria estar pronta em 2015, nunca é concluída, devido aos entraves burocráticos e total descaso dos governantes para liberar as mais de duas mil vagas existentes.

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