Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Salvando a própria pele

O Senado Federal, com o aval do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que o senador Aécio Neves deveria permanecer em seu mandato e não cumprir o seu recolhimento noturno, contrariando assim decisão do próprio STF, com uma clara demonstração de que a prática de crimes por parte dos políticos que integram o Congresso Nacional não é passível de punição.

A decisão favorável a Aécio teve participação direta do presidente Michel Temer, o qual moveu os cordões para que os aliados do governo votassem em favor da permanência do senador em seu cargo, mantendo assim os privilégios que faz jus pelo seu mandato, evitando ser molestado por decisões judiciais.

Os senadores em seus discursos foram claros em atacar o Judiciário e Ministério Público, demonstrando seu descontentamento com as investigações envolvendo os integrantes da casa legislativa, sendo que muitos estão denunciados diversas vezes por prática de crimes.
A decisão onde 44 votos disseram que Aécio deveria ficar no cargo, apesar de ter sido flagrado em áudio pedindo dinheiro para se defender das acusações contra ele, levantadas na Operação Lava Jato.

Aliás, a operação foi alvo de severas críticas pelos que ocuparam a tribuna para defender seu colega, dizendo que há um componente político envolvendo aqueles que investigam os senadores e deputados federais, querendo desestabilizar o governo.

Na realidade a votação foi contrária ao que esperava a maioria da população brasileira, que comemorava o fato de um senador, comprovadamente envolvido em atos criminosos, sofrer uma punição e perder seu mandato, porém os senadores não se importaram com isso, decidiram proteger a instituição e não ouvir a opinião pública.

De outro lado, o Supremo Tribunal Federal lavou suas mãos e deixou para que o Legislativo decidisse sobre o futuro de um de seus integrantes e assim ocorreu a defesa dos interesses da classe, em detrimento das decisões do Judiciário.

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