Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Comprando a Presidência do Brasil

O impeachment de Dilma iniciou uma nova faceta da política no Brasil, onde a própria votação do processo de afastamento da presidente passou por negociação de cargos no, então, futuro governo Temer, com acordos às vésperas dele assumir a presidência.

Depois tudo foi negociado pelos novos ministros e assessores para manter o presidente em seu cargo, com inúmeros acordos com aliados, passando por entrega de ministérios, várias funções em estatais e outros órgãos ligados ao Executivo, numa forma de agradecimento pela votação a favor do impeachment de Dilma.

Passado mais de um ano de governo Temer, o surgimento de denúncias envolvendo diversos integrantes de seu primeiro escalão e aliados, numa onda que foi crescendo e chegando ao envolvimento direto de Michel Temer com a prática de crimes graves, envolvendo inclusive o envolvimento com outros denunciados na Operação Lava-Jato.

Em junho deste ano houve a primeira denúncia contra o presidente por corrupção passiva, mas com a compra de votos direta aos parlamentares ligados ao governo, seja por cargos para apadrinhados dos partidos que compõem a base governista ou por liberação de dinheiro para emendas parlamentares, foi arquivada pela Câmara dos Deputados sem dificuldades.

Agora em outubro, uma nova denúncia, acusando o presidente de ser o chefe de uma organização criminosa tendo como integrantes principais os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, sendo novamente arquivada sem problemas pelos deputados aliados, que tiveram atendidos diversos pedidos junto ao governo.

A estimativa dos custos de toda a negociação política para barrar as duas denúncias criminais contra Temer pode chegar a R$ 32 bilhões, pois essa é a soma de diversas concessões e medidas do governo negociadas com parlamentares entre junho e outubro.

Pode-se concluir então que para manter o cargo de presidente e toda a base do governo parece não haver limites econômicos, apesar de todo o discurso de crise, com cortes em diversas áreas essenciais para a população brasileira.

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