Sexta-Feira, 19 de Janeiro de 2018 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Cadeiras anfíbias

No veraneio sempre aparecem imagens de deficientes físicos que não conseguem chegar ao mar, sendo necessário que outras pessoas carreguem até a praia e coloquem na água, assim podem sentir as ondas batendo no corpo.

Várias prefeituras e empresas investem em cadeiras anfíbias adaptadas para que não haja esta necessidade e facilite a vida dos parentes dos deficientes, numa atitude muito positiva, pois permite o banho de mar aquelas pessoas que não conseguem se movimentar.

Quem não tem problemas de motricidade nem imagina o que sofre um deficiente, pois fica olhando a imensidão do oceano, sentindo o vento e o sol, mas não pode aventurar-se mergulhando e sentindo o contato do mar.

Nosso egoísmo não permite que tenhamos o mínimo de preocupação com isso, pois não somos afetados, porém aqueles que convivem e precisam dar condições de vida digna para seus parentes que não conseguem se movimentar tem outra visão.

Pude observar um deficiente sendo carregado por seus pais até a praia, numa cadeira de rodas, não movia as pernas, apenas pequenos movimentos nos braços, chegou até a guarita e foi colocado na cadeira anfíbia, depois de seguro, foi levado para dentro da água.

Sorria sentindo seu corpo ser molhado pela água salgada, olhava para o salva-vidas agradecendo com o olhar, a mãe tinha lágrimas nos olhos, o pai um sorriso de alegria, todos felizes com aquele momento.

Segundo ouvi dos pais foi o primeiro banho de mar de seu filho, um rapaz de 22 anos, com paralisia cerebral desde o nascimento, mas que por uma iniciativa de algumas entidades, pode ter contato com o oceano.

Quantos de nós nos queixamos da vida, de nossas dificuldades financeiras, de nossas desilusões amorosas, esquecendo que temos todos os movimentos, podemos ir a qualquer lugar, somos livres e não dependemos de outros para a locomoção.

Vendo a cena, agradeci por poder caminhar, acenar e ter as sensações de felicidade que recebo a cada dia, olhar ao redor e poder abraçar aqueles que amo, por não ter problemas, pois são nada perante o desafio de entrar no mar e não conseguir.

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