Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Na semana de Páscoa um jovem de 21 anos foi visitar os parentes em Santana do Livramento. Depois de visitar alguns amigos e familiares, tentou vender um notebook e uma câmera fotográfica, pois tinha o aluguel e condomínio atrasados. Estava desempregado desde dezembro.
Teve uma idéia: pegar uma arma e assaltar taxistas, assim resolveria o problema da falta de dinheiro para pagar as contas.
Pegou um táxi em Livramento, depois resolveu disparar dois tiros na cabeça do taxista, assim não seria reconhecido. Mortos não falam. Recolheu dinheiro e celular, dirigiu o táxi e abandonou. Pegou outro táxi, mesma ação. Para encerrar a noite, mais um veículo, mais uma morte.
Depois foi para casa contar o dinheiro, ficou com um celular e deu outro a seu irmão de 12 anos. Feito isto, pegou um ônibus e voltou para Porto Alegre, retornando ao seu apartamento e sua rotina. Costumava vestir-se bem e aparentar não ter problemas financeiros.
No sábado, em busca de mais dinheiro, apanhou um táxi próximo de sua casa, agiu da mesma forma, matando o quarto taxista, rodou pela cidade, abandonou e pegou outro táxi, mais uma morte na contabilidade. Encerrou a segunda noite matando mais uma vítima, fechando seis taxistas mortos.
Ironicamente, voltou de táxi para sua casa, onde lavou as roupas, tendo o cuidado de jogar a arma fora.
A mídia noticiou todos os crimes, surgindo diversas teses. As autoridades passaram a procurar o assassino. O jovem olhava as notícias no seu apartamento, enquanto procurava emprego.
Mas ele se esqueceu de alguns detalhes: suas impressões digitais nos veículos, as imagens captadas pelas câmeras de segurança em Santana do Livramento e Porto Alegre, além dos celulares que havia dado ou vendido.
Quem é o assassino? Abandonado pela mãe, com cinco meses, foi criado pela avó. Não tinha vínculo com o pai. Problemas na escola, brigas. Expulsão do Exército. Envolvimento com drogas. Um jovem que mentia, dissimulava. Desempregado, usava terno completo. Sem ensino médio, dizia ser universitário. Vivia de aparência.
Por que matou taxistas? Talvez por vingança. Seu pai era ausente e trabalhava eventualmente no táxi do avô. Este recebia o carinho da avó que ele amava e que substituiu sua mãe. Complexo de Édipo mal resolvido? Talvez.

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