Segunda-Feira, 25 de Setembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Chegou até mim o problema de um amigo. Casado a mais de 26 anos, com uma família maravilhosa, filhos, casa própria, um carro na garagem, sem dívidas. Eles ainda têm uma casa na praia, onde costumavam reunir os amigos em grandes festas. Enfim possuem uma estabilidade financeira.
Mas, certo dia, ele recebeu a notícia: sua mulher não o amava mais. Simplesmente acabou o sentimento que ela nutria por ele. Ele confessou que os sinais eram evidentes, mas ele não via.
Primeiro as longas ausências quando estava ao lado dele. O computador era o confidente, ela passava horas olhando a tela, buscando qualquer assunto e ele ali sentado, de vez em quando passando uma cuia de chimarrão.
Depois o desinteresse pelos filhos, ele que tomava conta, conversava, fazia brincadeiras e ela lá, envolvida no computador, sentada na cozinha, enquanto ele convivia com os filhos.
O mais velho até comentou: pai a mãe tá tão estranha. Ela tá preocupada com o trabalho, respondeu ingenuamente o marido.
Quando as roupas começaram a acumular junto à máquina de lavar, os banheiros ficaram sujos e a desorganização chegou, ele pensou: tem algo errado.
Ele ocupado com o trabalho, também se envolveu com a vida dele, deixou a mulher de lado, uma saída com os amigos. Longas ausências, distante dela. Passou a ver a indiferença da mulher que amava.
Então chegou o dia da revelação. O amor terminou, ele agora está sofrendo, sozinho, deixou a casa para a mulher e os filhos. Vive perambulando de bar em bar, em aventuras amorosas improdutivas. A velhice tomou conta do rosto, rugas tornaram diferente o sorriso.
Depois de ouvir seu relato fiquei pensando em quantos casais não tem este mesmo problema, quando algo quebra na relação, mudando as pessoas para sempre.
A vida em comum deixa de existir quando cada um senta com seu notebook num canto da casa. Aconselho: troquem as palavras digitadas pela conversa verdadeira. Se os seres humanos continuarem assim, vamos nos tornar estranhos dividindo o mesmo espaço.
Para evitar isto: conversar, ouvir, falar, assistir um filme, ir ao teatro, cinema, passear, viajar, tomar banho de chuva, dançar e pular. Com um detalhe: não custa muito caro. O caro é sentar numa casa vazia e não ter para quem dizer: eu te amo.

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