Sábado, 16 de Dezembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


ROJÃO ASSASSINO
Um rojão resolveu matar um cinegrafista no meio de uma Praça do Rio de Janeiro. Premeditando o crime ele ficou olhando ao redor, escolhendo qual seria sua vítima. Planejou o vôo, como chegaria até a cabeça do cinegrafista, atingindo-o próximo a sua nuca, pois estava incomodado com aquele homem filmando toda a ação dos seus amigos manifestantes.
Sua vida até aquele momento fora anônima, produzido juntamente com milhares de outros rojões, foi colocado numa caixa e levado para uma loja, sentindo-se abandonado, os outros rojões eram levados por outras famílias. Um trauma de abandono o deixou revoltado, não tinha carinho e uma fobia de multidões e de câmeras. No depósito estava sempre sendo vigiado por muitas.
Mas um dia foi retirado de sua caixa. Colocado na vitrine passou a se mostrar, tentando chamar a atenção dos que passavam. Um jovem entrou na loja e o comprou. Mudou de vida, vivia com outros objetos das manifestações, bandeiras, máscaras, pedaços de madeiras. Havia garrafas, gasolina e pedaços de pano, descobriu depois que juntando dava um coquetel molotov, usado para destruir o patrimônio ou atingir pessoas.
Ás vezes acompanhava seus amigos, participava das manifestações, outros rojões eram acesos e depois de fazerem trajetórias maravilhosas explodiam, causando alegria nos manifestantes.
Desejou chegar o seu dia. Chegou. Dois jovens aproximaram-se dele, acenderam seu pavio e o deixaram no meio da praça. Escolheria seu destino, seria diferente dos outros, entraria para a história. A ausência de carinho, a desatenção dos pais, a falta de limites, a irresponsabilidade, a legislação falha eram os alicerces que garantiriam a impunidade dos jovens que responderiam pelo ato heróico do rojão.
Ele cumpriu sua missão. Assassinou um ser humano que teimava em filmar as manifestações. Poderia ser qualquer um, a praça tinha manifestantes, crianças, idosos, policiais, jornalistas, mulheres, homens, enfim um grupo de pessoas reunido pela existência de um descontentamento contra o aumento das passagens, mas ele escolheu aquele homem, que após ser atingido, caiu desacordado.
Porém havia outros colegas do cinegrafista filmando a ação covarde do rojão, que fora incentivado por dois jovens, que acenderam o pavio que permitiu para o rojão assassino entrar para a história.

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