Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


PRESÍDIO CENTRAL DE PORTO ALEGRE
Inaugurado pelo governador Leonel Brizola, em 1959, o Presídio Central de Porto Alegre foi criado para substituir a Casa de Correção, a qual ficava nas proximidades do Gasômetro. Cabe salientar que a desativação passou por uma série de denúncias de maus tratos aos presos e condições insalubres do prédio.
Na sua origem o Presídio Central destinava-se a receber presos provisórios, ou seja, aqueles apenados ainda não condenados, com prisões temporárias ou presos em flagrante. Não deveria funcionar como penitenciária, onde os presos cumprem pena por condenação judicial.
Na década de 1970 passou a receber presos condenados em seus espaços, alterando sua função inicial. O problema só piorou pela falta de vagas, sendo colocadas mais pessoas do que deveria receber.
Na sua capacidade inicial havia previsão para aproximadamente 800 vagas, chegando à atualidade a uma capacidade de dois mil apenados, porém abriga atualmente mais do que o dobro de pessoas nos seus pavilhões.
Em 1959, o Presídio Central era o que de mais moderno havia para o cumprimento das penas, com portas eletrônicas, salas de controle e não havia contato dos carcereiros com os apenados, pátios amplos, oficinas com maquinário para gráfica, mecânica e marcenaria.
Tudo deveria ter sido mantido, porém as condições dos sistemas elétrico e hidráulico foram deteriorando, com reformas paliativas ao longo destas décadas. Foram feitas algumas ampliações. Houve ainda desgaste das estruturas, alguns motins e rebeliões, com incêndios, danificando muitos espaços.
Mas o que fazer?
Quem sabe destruir tudo, apesar de todo investimento público naquele local, destinando a área para outros fins, levando os apenados para outras unidades prisionais.
Acredito que manter aqueles pavilhões em melhor estado para a finalidade de receber os presos provisórios da região metropolitana, resgatando a origem da função original do Presídio Central poderia ser outra alternativa.
Talvez criar um espaço cultural para a comunidade ou então deixar o complexo de edificações para ser utilizado, nos moldes de Alcatraz, para fins turísticos, com resgate histórico e lucros para o Rio Grande do Sul.
Uma coisa é certa: permanecer como está seria, no mínimo, desumano.

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