Sexta-Feira, 28 de Abril de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


DITADURAS NA AMÉRICA LATINA
O golpe militar de 1964 não foi um fato isolado no contexto latino americano. No mundo pós-guerra duas potências dividiam o domínio sobre o mundo. De um lado o capitalismo dos Estados Unidos e de outro o comunismo da Rússia polarizaram as tendências políticas, num período conhecido como Guerra Fria, quando os dois lados usavam de todos os meios para manter e conquistar aliados.
A Revolução Cubana, em 1959, colocou na América Latina um governo alinhado com o comunismo russo e permitiu aos Estados Unidos tomar providências para evitar a ampliação desta influência nos demais países latinos, o que seria uma ameaça à hegemonia americana na região desde o final do confronto mundial.
A ideia de combate ao comunismo foi disseminada aos militares sul-americanos, através da Nacional War College, durante a II Guerra Mundial, sendo criada no Brasil, em 1949, a Escola Superior de Guerra com a mesma finalidade.
Em 1945, o presidente Getúlio Vargas foi deposto pelos militares, retornando em 1950 pelo voto popular, mas sua política populista não agradava a setores da sociedade, culminando com o suicídio em 1954, que evitou um golpe militar.
As eleições presidenciais de 1955 foram vencidas por Juscelino Kubitschek, tendo como vice João Goulart, ocorrendo uma tentativa frustrada de impedir a posse dos eleitos.
Jânio Quadros chegou ao poder em 1960, mas pela pressão de diversos grupos, inclusive militares, renunciou em 1961, enquanto Jango, reeleito vice-presidente, estava na China. Os militares tentaram evitar sua posse como presidente. Mas a Campanha da Legalidade evitou o golpe militar e Jango assumiu com poderes restritos, num parlamentarismo esdrúxulo.
A volta do presidencialismo, em 1963, por plebiscito popular, permitiu mudanças no campo econômico e social, que foram traduzidas como comunismo pelos militares, que apoiados pela potência americana, derrubaram em 1964 o presidente e implantaram uma ditadura militar.
Nos mesmos moldes das que foram implantadas na Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai para evitar a expansão comunista, numa clara intervenção dos destinos de milhões de pessoas, baseadas numa ideologia distorcida da realidade local e que não levava em consideração a vontade popular destes países.

COMENTÁRIOS ()