Terça-Feira, 25 de Julho de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


A CULPA É DO BERNARDO
A mãe de Bernardo morreu em 2010, quando ele tinha sete anos, causada por um tiro na cabeça de Odilaine. A morte ocorreu na sala do pai, na clínica montada pela família. Os pais estavam separados e faltavam três dias para assinarem o divórcio.
Bernardo morava com a mãe que deve ter coberto o filho de amor, carinho, atenção, afeto e tudo que pudesse compensar a ausência do pai, para o menino e para ela. A relação entre mãe e filho, quando acontece a separação, costuma tornar-se mais próxima, numa compensação natural pela perda do pai na vida familiar.
Depois da morte da mãe, o menino voltou a morar com o pai, abalado pela perda e carente de cuidados. Logo em seguida, o pai casou novamente e uma madrasta entrou na vida de Bernardo. A convivência não é fácil, ainda mais para uma criança que sofre pela falta da mãe, com outra mulher vivendo ao lado do pai.
Mas outro fato deve ter abalado Bernardo: ele teve uma irmã, que passou a receber a atenção da família, ficando mais afastado do pai. Numa visita à avó reclamou da situação. Instituições foram acionadas para auxiliar seu neto e pediu a guarda de Bernardo.
A relação estava tensa. Bernardo afastou-se do pai, procurando outras casas para receber atenção, reclamando de sua vida, foi até pessoas que poderiam mudar a situação. Teve uma conversa com o pai, que prometeu, na frente de um juiz, mudar e aproximar-se do menino, permanecendo com a guarda até uma nova audiência, que não ocorreu, pois Bernardo foi morto e enterrado por sua madrasta, com auxílio de uma amiga.
Tudo poderia ser evitado se Bernardo não tivesse reclamado da falta de amor e carinho, aceitado ser abandonado pelo pai e esquecido da morte de sua mãe e substituí-la pela madrasta, sem sentir ciúmes de sua irmã.
Os adultos e as instituições não erraram e devem ser inocentados.
Pelo que parece a culpa de ter morrido deve ser do Bernardo.

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