Sábado, 16 de Dezembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


FALTA DE HUMANIDADE
Diariamente temos notícia de que pessoas são agredidas e, muitas vezes, mortas por outros seres que decidem punir alguém que, supostamente, tenha cometido algum crime, tornando-se justiceiros acima da lei.
Temos um sistema que funciona para preservar a vida, garantindo o direito à ampla defesa de quem é acusado da prática de algum crime, cabendo ao poder público decidir, através de um julgamento, qual a pena cabível a cada caso.
Não vivemos num sistema de anomia legal, onde cada um pode fazer o que quiser, decidindo pela punição de outro ser humano, inclusive aplicando uma pena de morte com a ação de grupos revoltados com alguma situação existente na sociedade.
As mortes noticiadas trazem a ideia de um grupo de animais que após iniciada a agressão, não tem mais controle, somente sentindo-se satisfeito quando for retirada a vida de quem é julgado culpado pelo grupo.
O ser humano é o único animal que mata seu semelhante por crueldade e por prazer, sentindo satisfação com isto, ou seja, falta humanidade ao ser humano que perde o controle quando em grupo e assume o anonimato da massa, agindo por reflexo do que outros estão fazendo.
No caso da mulher morta por suposto sequestro de crianças para ritos de magia negra, sem nenhuma prova, apenas a semelhança com um retrato falado publicado numa página da internet, um grupo arrastou a mulher pela rua, agredindo até a morte, sendo tudo gravado e exposto na mídia, mostrando a ausência de qualquer traço de arrependimento pelos agressores.
Cabe ao cidadão, quando constatada a prática de crime, acionar a polícia, sem tomar atitudes que coloquem em risco a sua vida, além de não decidir tornar-se um algoz, prendendo, julgando, agredindo e matando. Cabe à polícia, prender e encaminhar o criminoso para registro e julgamento, sendo responsável pela integridade física desta pessoa. Após ser preso, passará por um processo, chegando ao final a um julgamento, somente sendo condenado caso existam provas de que realmente praticou o crime.
Nosso sistema funciona baseado na presunção da inocência, ou seja, cabe a quem acusa provar que houve a prática do crime. Tal situação visa evitar que um inocente seja condenado, preservando toda a sociedade, para que não venhamos a voltar à lei do olho por olho, dente por dente, pois acredito que não somos animais, mas seres humanos.

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