Sexta-Feira, 24 de Março de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


SOFÁS E PESSOAS DESCARTÁVEIS
Ao circular pelas ruas da cidade muitas vezes encontro sofás abandonados, dos mais diversos tipos e tamanhos, das mais variadas cores e materiais deixados nas ruas. Possivelmente foram trocados por outros sofás mais modernos e não tiveram interessados em adquiri-los.
Ficaram velhos, sem serventia para seus donos, já não cumprem seu papel dentro da casa, foram úteis por um tempo, mas ao menor sinal de desgaste são substituídos, não servem mais, são descartáveis.
Da mesma forma os idosos, em muitos casos, são assim tratados, ficam abandonados, pois não estão enquadrados dentro das famílias, que muitas vezes não se preocupam com o que sentem ou querem estas pessoas.
O maior erro é pensar que após uma determinada idade as pessoas tornem-se novamente crianças, o que não é verdade, são adultos com história e com vontade, querem viver suas vidas da melhor maneira possível.
Os filhos querem decidir o que eles podem ou não fazer, tirando toda a autonomia que tiveram, passando a trata-los de uma forma a inverter os papéis de autoridade e decisão.
Falta respeito pelos homens e mulheres idosos que querem encontrar a outra metade novamente, como se para ser feliz houvesse idade certa, numa condenação da sociedade aos que são bem resolvidos e continuam vivendo, com autonomia e felicidade.
Não existe um determinado momento da vida em que parem de funcionar os sentimentos, a vontade de sorrir, ter carinho e receber afeto de outro ser humano, mas assim procede nossa sociedade, criando um idoso assexuado, sem necessidades e que deve se enquadrar no modelo criado.
Outro erro clássico é obrigar os idosos independentes a virem a morar com alguém da família, muitos não querem, preferem ter sua privacidade, serem livres para receber quem quiserem, saindo e voltando sem dar satisfação a ninguém.
Não existe um marco cronológico que diga: a partir de agora não tem mais responsabilidade por ti, não pode fazer nada que os outros não deixarem. As limitações físicas são normais e devem ser respeitadas, mas as pessoas idosas podem realizar as mais diversas atividades, dentro daquilo que desejarem.
Não são sofás que podem ser substituídos e abandonados pelas ruas da cidade, são seres humanos que precisam de qualidade de vida, atenção e respeito. Sem esquecermos que todos nós seremos idosos um dia, então é bom tratar ao outro como pretendemos que nos tratem no futuro.

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