Sexta-Feira, 28 de Abril de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


DEZ ANOS SEM BRIZOLA
Acompanhei as homenagens dos gaúchos a Leonel Brizola, quando de sua morte em 21 de junho de 2004, pude ver o povo tomando conta da Praça da Matriz, da mesma forma que foi tomada por mais de 50 mil pessoas, em agosto de 1961, quando Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, chamou a população gaúcha para lutar pela posse do Presidente João Goulart na Campanha da Legalidade.
A chegada do esquife no Aeroporto Salgado Filho foi acompanhada por uma multidão, que seguiu o deslocamento num caminhão de Bombeiros, que teve escolta de uma equipe de cavalarianos do Regimento Bento Gonçalves, usando trajes de gala, percorrendo as principais ruas do centro de Porto Alegre.
Lembro-me do cavalo branco trazido por um soldado da Brigada Militar, com as botas do cavaleiro Brizola, numa representação e homenagem ao grande gaúcho que liderou nosso estado e sempre foi referência para várias gerações de políticos.
Teve muitos embates, encampou duas empresas americanas, criando a CRT e a CEEE, criticou o Plano Cruzado, brigou com a Rede Globo em várias oportunidades, criou apelidos para muitos de seus adversários, tinha posições e não recuava em suas convicções.
Brizola foi um homem à frente de seu tempo, tinha uma visão empreendedora, defendia as empresas públicas e tinha na educação uma preocupação, sempre implantando e construindo novas escolas, em Porto Alegre, depois as “brizoletas” no Rio Grande do Sul e por fim os CIEP’s no Rio de Janeiro, bem como suas ideias de reforma agrária e tributária defendidas a mais de 40 anos, ainda são atuais.
Seu sonho de ser Presidente do Brasil foi interrompido com o Golpe de 1964, pois era um forte candidato para substituir Jango e possivelmente venceria as eleições de 1965. Depois da volta do exílio, concorreu duas vezes à presidência, mas não conseguiu vencer em nenhuma das vezes. Em 1998, foi candidato a vice de Lula, desistindo de seu sonho de ser presidente do Brasil.
Agora passados dez anos resta-nos imaginar como seria o Brasil se Brizola fosse Presidente, o que teria mudado, como seríamos. Talvez não tivéssemos perdido tantas estatais que foram privatizadas, teríamos uma reforma agrária e quem sabe muitas crianças ocupando os Centros Integrados, com toda uma estrutura para atividades lúdicas.
Resta-nos homenagear o grande homem público e esperar que inspire os políticos com suas boas ideias.

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