Domingo, 28 de Maio de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


A história do médico Roger Abdelmassih era a de um profissional ginecologista com pleno êxito em reprodução humana assistida, famoso em todo país por sua habilidade em proporcionar a geração de filhos em mulheres com dificuldades para engravidar.
Um ícone do assunto, procurado por famosos e ricos, com uma luxuosa clínica num bairro nobre de São Paulo, cobrando valores altos para a fertilização artificial de mulheres, com técnicas que obtinham ótimos resultados.
Mas esta fachada de excelência e profissionalismo escondia no seu interior um monstro que abusava sexualmente de suas pacientes, aproveitando-se de sua condição de médico renomado, que coagia suas vítimas, utilizando de enorme habilidade para encobrir provas.
Fazia os estupros e abusos nas salas de recuperação, quando as pacientes estavam sob efeito da anestesia, nas diversas fases do processo de fertilização, com a certeza de não ser interrompido, pois ninguém imaginaria que um médico, após realizar procedimentos tão humanitários, iria fazer tais atos.
Os fatos ocorreram durante anos, envolvendo pessoas simples e anônimas que não poderiam acusar um ginecologista famoso, muito respeitado dentro da comunidade médica e com uma clientela satisfeita com seu trabalho.
O silêncio das vítimas manteve a impunidade do estuprador. Havia medo e enormes dificuldades de provar as acusações, não permitindo que as mulheres revelassem o que acontecia na clínica durante seus tratamentos.
Roger Abdelmassih fez seus crimes com o respaldo de uma carreira sólida e um nome respeitado, usando sempre a mesma tática e os mesmos recursos, acreditando que as mulheres, sob efeito de anestesias fortíssimas, não conseguiriam lembrar-se do que aconteceu com elas.
Porém a coragem de algumas levou a surgirem relatos de dezenas de vítimas, que tiveram a possiblidade de fazer justiça e buscar a reparação de tudo que sofreram.
Uma condenação a 278 anos de prisão reflete a dimensão dos crimes, da quantidade de abusos praticados por um médico, que tomado de uma atitude desumana causou sofrimento e abusou das mulheres que deveria cuidar.
Depois de mais de três anos de clandestinidade foi novamente preso, encaminhado ao Presídio de Tremembé, onde, se não for liberado por outra manobra jurídica, deverá pagar pelos crimes, por manipular vidas e estuprar muitas mulheres, ironicamente, dentro de uma clínica ginecológica.

*Ten Cel BM, Jornalista e Escritor

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