Quinta-Feira, 21 de Setembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


RS: TERRA DE RACISTAS E HOMOFÓBICOS

Não conseguiremos escapar desta pecha, seremos a partir de 2014 reconhecidos mundialmente como um povo racista e homofóbico. De nada adiantará discursos e defesas acaloradas de nossa tolerância às diferenças, nosso histórico de sermos pioneiros nas conquistas das minorias.
Na questão da homofobia, precisamos vencer a ideia de que fomos forjados pelas guerras, temos no centauro farroupilha o modelo a seguir, ser diferentes do restante do Brasil, com os obstáculos de uma tradição obtusa, criada em 1948 por um grupo de estudantes, os quais disseram as regras do Movimento Tradicionalista Gaúcho que perduram até hoje e não podem ser contrariadas.
Não podemos esquecer que Pelotas, devido à sua cultura importada da Europa, quando filhos de fazendeiros voltavam de seus estudos, com roupas de seda e maquiagem, logo foram rotulados de homossexuais, restando aos pelotenses continuar ouvindo piadas sobre a masculinidade dos habitantes.
Quanto ao racismo, precisamos vencer séculos de exploração dos negros, em fazendas, charqueadas e lavouras, com abusos e estupros às mulheres negras, chibatadas e torturas aos negros fujões.
Na Revolução Farroupilha, que tanto nos orgulha, ficou a mancha do massacre dos Lanceiros Negros, que lutaram durante uma década em defesa da República Riograndense, mas com a derrota para o Império, foram desarmados e sacrificados como barganha pela paz.
Já tivemos, há uns trinta anos atrás, em diversas cidades clubes destinados aos negros, inclusive CTGs. Nos clubes destinados a brancos os negros não entravam. A ascensão social dos negros era por dois caminhos: futebol ou samba.
Seguimos altivos a defender a igualdade, mas vivemos numa sociedade despreocupada com os diferentes, aqueles fora do padrão de uma “normalidade” racial, religiosa ou sexual imposta. Nossos negros, homossexuais, portadores de deficiências físicas e mentais, moradores de rua, mulheres, crianças e idosos seguem sofrendo abusos, violências e discriminações.
O poder público através de leis e ações tenta reverter à hipocrisia, mas as mudanças só ocorrerão quando houver uma alteração na base da formação educacional, dentro das famílias e das escolas, com valorização e igualdade para todos.
Enquanto isto não acontece, vamos vivendo de fatos negativos como racismo nos estádios e incêndios intolerantes.

*Ten Cel BM, Jornalista e Escritor

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