Domingo, 28 de Maio de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com



No domingo, dia 02 de dezembro de 2012. Nesta data Porto Alegre vai ficar mais triste, os gremistas perderão o Estádio Olímpico, um símbolo de uma era da história tricolor, marcada por tantas conquistas e muitas alegrias, constatadas por uma multidão a cada jogo.
Eu tive o privilégio de acompanhar a construção de uma etapa do estádio, meu pai, Avelino, trabalhou no Grêmio durante muitos anos, como instalador hidráulico, pude acompanha-lo, ainda criança pelas entranhas daquele complexo de concreto, enquanto chegavam sacos de cimento, areia, tijolos, trazidos pelos torcedores de todo o Estado.
Meu pai cortava canos, colava, colocava registros, chuveiros, torneiras, mangueiras, criando uma teia que levava a água para banheiros, salas, vestiários e alimentava a grama do campo, agora que vejo o Olímpico encerrar suas atividades, lembro-me do meu pai, sorrindo enquanto trabalhava, fazendo a história sem saber e eu vendo tudo aquilo acontecer, sem ter ideia de que um dia poderia chorar pela lembrança dele e de tudo que ele fez naquele complexo.
Depois, pude assistir muitos jogos ao lado dele, percorrendo os labirintos internos, quando faltava água ou estourava algum cano, lá íamos fechar registros, puxar canos, solucionar problemas da hidráulica, eu às vezes lixando um cano, entregando o tubo de cola ou o rolo de cordão, alguma peça ou ferramenta, feliz por poder acompanhar meu pai naquelas tarefas.
Mas veio a adolescência, aí pude trabalhar como zelador de banheiros usava um jaleco e ficava na porta controlando para não estragarem nada, ou vendendo pedaços de papel higiênico para quem precisasse claro assistindo os jogos de diversos setores do estádio, pois a torcida só vai aos banheiros nos intervalos.
Não esqueço da final da Libertadores de 1983, o Olímpico tremendo e eu lá de jaleco olhando o jogo das sociais, uma massa de gente vibrando pelo desempenho do time. Lembro do lance mágico, Renato na ponta direita dá um chutão para cima e a bola sobe e desce quase junto à trave esquerda, César atira-se e cabeceia para o gol, vitória tricolor, título inédito, todos chorando, meu pai do meu lado chorando e gritando, uma lembrança inesquecível.
Mas aquele ano foi incrível, no dia 11 de dezembro de 1983, no Japão, novamente Renato fez a diferença e meu pai recebeu este presente de aniversário naquele ano, o Grêmio Campeão Mundial de Futebol, novamente choramos abraçados.
Infelizmente neste 02 de dezembro não terei meu pai ao meu lado, quando o Olímpico fecha suas portas definitivamente, encerrando um ciclo da vida deste ícone de minha vida. O outro, o seu Avelino já descansa em paz, lá no Alegrete, onde nasceu.

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