Quinta-Feira, 30 de Março de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Uma medida polêmica

A revista pessoal é algo constrangedor, pois expõe o revistado, que se sente impotente, sendo necessário ao revistador ter muito cuidado para não tornar o ato um abuso de autoridade. Numa escola estadual de Caxias do Sul, a diretora, visando à segurança da comunidade escolar, implantou a revista aos alunos dos últimos anos, pois havia informação de que os alunos levariam armas e drogas para dentro da escola, com um confronto final entre os grupos rivais.
Neste contexto a atitude da diretora está correta, porém esbarra na falta de legalidade para o ato, que segundo noticiado, foi levado a termo por integrantes de uma empresa de segurança particular, causando revolta nos alunos, os quais se sentiram constrangidos e ameaçados. Cabe frisar que nas revistas nada foi encontrado, o que revoltou ainda mais os adolescentes, sendo necessária a intervenção da polícia para o registro dos fatos.
Apesar das boas intenções da diretora, das informações trazidas pela comunidade, legalmente não cabe à direção tomar estas medidas, mas sim comunicar as autoridades, que, através da polícia ostensiva, fará uma ação preventiva no entorno da escola, visando à segurança de todos os envolvidos, sendo que as revistas se ocorrerem, serão pontuais e devidamente fundamentadas.
Até mesmo o policial nas suas tarefas rotineiras não pode revistar indistintamente todas as pessoas, precisa de um fundamento legal para tal procedimento, uma suspeita de prática de crime, uma evidência que o leve a desconfiar da atitude alguém, assim no campo legal, a revista realizada na escola foi uma ilegalidade.
A violência escolar é uma realidade em diversas cidades, com divulgação de muitas notícias de agressões e discriminações contra todos os entes do processo educacional: direção, professores, funcionários, alunos e familiares. Toda este cenário fez com que a comunidade escolar caxiense tomasse medidas drásticas para evitar que a escola venha a se tornar mais um território de abusos e práticas violentas.

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