Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


A fachada da Boate Kiss está de volta ao cenário de Santa Maria, chamuscada pelas chamas da tragédia que matou 242 pessoas numa madrugada, já distante quase dois anos da realidade, mas presente a cada dia nas vidas familiares que perderam seus filhos nesse local. Agora limpo e pintado de branco, serve de recordação diária a quem passa na frente do prédio, uma marca sinistra e com uma história de mortes e sofrimento.
Será difícil para a cidade recuperar a felicidade e a alegria, permanecerá entristecida a cada nova manhã quando o sol tocar a fachada e torná-la mais visível aos passantes, ferindo os olhos lacrimejados de quem perdeu alguém naquele forno artificial, criado pela ganância e pela falta de cuidados com a estrutura necessária para manter vivos os que lá frequentavam.
Agora chega mais uma notícia: os parentes terão que arcar com a limpeza e desintoxicação dos objetos pessoais de seus filhos, caso desejem recuperar restos de vidas que se perderam, talvez uma foto, um sapato, um pedaço de roupa, itens recuperados de um passado de alegria de tantos jovens que nos deixaram, pois o presente está aqui, trazendo novamente dor, além da necessidade de levantar fundos para salvar estes pedaços de vidas que não voltam mais.
Santa Maria mudou seu modo de ser. Os jovens agora precisam continuar divertindo-se, mas com cuidados redobrados, analisando se aonde irão há segurança adequada, enquanto pais ficam apreensivos aguardando o retorno de seus entes queridos, talvez preocupados ou traumatizados pelas perdas de outros jovens, num local tão badalado que se tornou, agora, símbolo do descaso público e privado.
A mudança na legislação, com a criação da Lei Kiss, uma homenagem ao epicentro da tragédia, mudou toda a burocracia para a manutenção ou criação de locais que possam apresentar riscos, desde indústrias, passando por estabelecimentos e chegando às residências, numa onda de prevenção ao incêndio, mudando a forma de atuar de todas as instâncias públicas, fazendo com que empresários tenham a prevenção como item primeiro de seus investimentos.

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