Segunda-Feira, 25 de Setembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Nosso sistema de obras públicas foi gestado, desde o descobrimento, para que o Estado não tivesse a incumbência de executar as obras, foi tudo sempre direcionado para que empresas terceirizadas fizessem os trabalhos de construção e reforma de prédios, estradas e estruturas necessárias para atender as demandas da população.
Este sistema foi aperfeiçoado com as grandes obras dos diversos governos que se sucederam no país, sendo Brasília o primeiro grande projeto arquitetônico nacional, que gastou enormes quantias com a construção de novas estruturas públicas, tendo como justificativa levar o progresso para uma região isolada do país, com enormes benesses para os funcionários públicos que para lá foram deslocados no início dos anos 60.
Depois vieram as grandes obras de engenharia, com estradas atravessando o país, com enormes investimentos para sustentar a opção pelo transporte rodoviário, sucateando o ferroviário e o fluvial. Itaipu foi outra grande obra que gastou vultosas quantias do dinheiro público, sem termos certeza de que valeu a pena tudo que gastamos numa parceria binacional com o Paraguai.
Todo o processo para as obras inicia com um edital, especificando as necessidades e o que as empresas precisam oferecer para poderem concorrer, em seguida há uma disputa entre os interessados, sendo vencedor aquele que conseguir atender todas as exigências do edital e, geralmente, oferecer o menor preço pela execução do serviço.
Com o desenrolar do tempo, muitas empresas especializaram-se em concorrências públicas, tornando-se uma espécie de confraria, onde todos são conhecidos e disputam os editais sem deixar que outras entrem no processo, revezando-se no ganho do dinheiro público.
Agora com as diversas obras da Copa do Mundo incompletas, um polo naval emergente que está afundando no sul do Estado, denúncias de propina para ganhos de concorrências públicas, com prisão de corruptores e corruptos, superfaturamento de obras públicas em todo país e no exterior, resta-nos perguntar: as empresas querem levar mãos à obra para ganhar nosso dinheiro ou nos obrigar a levar as mãos ao alto enquanto pegam nosso dinheiro?

*Ten Cel BM, Jornalista e Escritor

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