Quinta-Feira, 30 de Março de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Estive recentemente no Chile e conversei com os chilenos sobre as características daquele país, sua história, o funcionamento da sociedade e traços culturais. Um dos focos de meu interesse era saber sobre o período em que o general Augusto Pinochet esteve à frente do governo, numa ditadura militar de dezessete anos.
O Chile é um país muito semelhante ao Brasil, possui várias regiões, algumas extremamente desenvolvidas e outras atrasadas, com uma minoria que concentra a riqueza e a maior parte da população vive com salários muito pequenos.
Quanto ao regime militar chileno, este difere do brasileiro por manter um único presidente por todo o período da ditadura. Pinochet foi um ditador que, utilizando uma estrutura de tortura e perseguição a membros e simpatizantes da esquerda chilena, violou direitos humanos em grande escala.
Por outro lado trouxe para o Chile uma estrutura econômica que se mantêm até hoje, com uma política de contenção de gastos e uma moeda estável. A indústria chilena é voltada para a vinicultura, beneficiamento de produtos agrícolas e exploração do pescado, usando o turismo como fonte de riqueza para o país.
Como no Brasil há pessoas que defendem a ditadura militar e outras que são contrárias, mas um dos aspectos que me chamou a atenção foi que o centro político que sustentou a ditadura, continua no poder, assim como o empresariado e outros setores que foram beneficiados pelo regime, exatamente como acontece em nosso país.
Após a ditadura houve uma redemocratização do país, mas os políticos que assumiram continuaram um sistema de manutenção do que havia durante a ditadura, ou seja, as elites continuam mandando no pais, enquanto o povo ilude-se por poder votar num sistema bicameral, com deputados e senadores, que também são acusados de corrupção, com grande custo para a nação, num modelo bem conhecido pelos brasileiros.
No período em estive no Chile fiz o lançamento do livro “50 anos do golpe de 64” que fala da nossa ditadura e pude constatar que a história brasileira não difere muito da chilena, apenas tiveram uma ditadura dez anos depois da nossa, obviamente, inspirada em nosso modelo e de outras que se instalaram na América Latina.

COMENTÁRIOS ()