Sexta-Feira, 26 de Maio de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Os haitianos que estão chegando ao Rio Grande do Sul fogem de um país pobre, com sérios problemas de estrutura econômica e social. Enquanto nós, brasileiros, reclamamos de nossa realidade com muitas mazelas, algumas decorrentes dos desmandos políticos, com uma carga tributária massacrante, acúmulo de verbas no governo federal, em detrimento de estados e municípios cujas arrecadações sustentam a estrutura federal.
Nosso cenário, apesar da crise, atrai os imigrantes e refugiados estrangeiros que vislumbram uma vida melhor no Brasil, atraídos pela imagem de pleno emprego, liberdade e por sermos um povo alegre e hospitaleiro, o que sabemos não é uma verdade absoluta, pois falta emprego, estamos numa crise econômica enorme e nossa máquina pública não funciona.
Mas o que leva uma pessoa a largar toda sua história, deixar família, amigos e os lugares que conhece para se aventurar em viagens desconfortáveis em ônibus e navios em direção a outro lugar sem nenhuma garantia de acolhimento por outro povo, com costumes totalmente diferentes, outros idiomas e, talvez, pessoas sem vontade de receber estrangeiros em sua convivência?
Imagino que tudo deva ocorrer ao longo de algum tempo, quando um jovem observa ao redor e vê a fome estampada no rosto dos seus familiares, sentia a angústia do nada poder fazer, sofre pelo abandono da estrutura oficial que não oferece educação ou emprego. Observa os pais colhendo migalhas para alimentar os filhos, os governantes vivendo em palácios suntuosos, trabalhadores vivendo com salários insuficientes e ainda professores desmotivados pela falta de valorização, ensinando a alunos desinteressados.
Vai em busca do sonho, um emprego com um bom salário, chance de estudar, ter condições para viver melhor, com governos mais democráticos e menos corruptos.
Decide vir para o Brasil, o que não sei se é a melhor escolha, pois nossa realidade, para a maioria da população, é muito semelhante ao que ele tinha em seu país.

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