Quinta-Feira, 30 de Março de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Escravos não têm direito a salário
Os direitos trabalhistas foram conquistados a duras penas no Brasil, pois fomos um dos últimos países a acabar com a escravidão, a pior forma de exploração de um ser humano sobre o outro, assim tivemos uma trajetória de desvalorização do trabalhador.
Desde nossa colonização, passando pelo império e chegando à república, sempre houve uma classe privilegiada que domina o poder, manipula a massa e que se beneficia com a exploração do trabalho subalterno, vivendo de maneira distinta, com enormes recursos à disposição, tratamento diferenciado e garantia de manutenção da sua posição na pirâmide social.
Esta questão histórica influencia nossa tradição de desvalorizar os trabalhadores de menores salários, ou seja, a maioria da massa trabalhadora, pois interessa a quem domina manter a exploração em níveis altos, garantindo assim a diferença vertical dos salários.
Dentro do sistema público de trabalho há o reflexo desta relação, ou seja, uma pequena parcela recebe salários que consomem a maior parte dos recursos, enquanto a maioria tem que se contentar em dividir o que restar do dinheiro público, podendo chegar a uma relação de um único privilegiado receber o que dezenas de funcionários recebem.
Agora com o parcelamento salarial atingindo quase todos os funcionários do Executivo aparece nitidamente esta lógica de desvalorização da base da pirâmide, enquanto alguns do Executivo e todos do Legislativo e do Judiciário, onde estão os maiores salários do Estado, recebem integralmente, os demais devem trabalhar sem receber seus salários.
Uma parte dos servidores públicos do Executivo do Rio Grande do Sul perdeu seu direito de receber seus salários após trabalharem durante um mês para a população, desta forma estamos vendo o retorno da escravidão, pois distribuíram apenas para que os escravos comprem sua alimentação e continuem trabalhando para seus senhores.
Tornando realidade o Hino Riograndense: funcionário público que não tem virtude, acaba por ser escravo.

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