Segunda-Feira, 25 de Setembro de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Tragédias sem culpados

O rompimento das barragens utilizadas pela empresa Samarco em Minas Gerais expõe mais uma vez a fragilidade dos sistemas de fiscalização no Brasil, pois a cada tragédia surgem explicações sobre o que deveria ter sido feito e não foi realizado pelos diversos órgãos responsáveis para evitar tragédias.

Aqui no Rio Grande do Sul já se passaram mais de mil dias do incêndio da Boate Kiss e as mudanças nas fiscalizações foram pontuais, sem grandes modificações, enquanto os responsáveis pelo que aconteceu não foram punidos.

Na situação mineira o fato é grave, pois os indícios, de que algo estava errado com as estruturas das barragens, não foram detectados devido a não ter existido fiscalização, em empreendimentos deste tipo, pelos órgãos governamentais responsáveis pela emissão dos laudos técnicos.

Após as tragédias todos passam a se preocupar com a prevenção as próximas, endurecendo a legislação que já existe e não é cumprida, mudando tudo o que era feito, no calor da situação, sem nenhuma base técnica, apenas para dar uma satisfação à sociedade o mais rápido possível, porém depois tudo volta a ser como antes.

Não há interesse das empresas em investir em prevenção, pois isto gera custos, que vão reduzir o lucro, enquanto que os órgãos governamentais passam por sucateamento, por falta de pessoal e recurso, aliado ao desinteresse político para áreas que não são essenciais.

Reproduzindo o que já falei, em outra oportunidade, a culpa foi dos 242 mortos da Boate Kiss por estarem lá no momento do incêndio e, agora, parece que a culpa é de quem morava perto das barragens e morreram soterrados pela lama.

Assim os responsáveis eximem-se da culpa, tanto os da iniciativa privada, como os do sistema público, enquanto que as legislações referentes ao tema podem mudar, mas na prática o sistema de prevenção de tragédias em nosso país continuará ineficiente.

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