Domingo, 23 de Abril de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


A morte de um defensor da sociedade

Ao sair de casa no dia 30 de novembro de 2015, o soldado Avila não imaginava que aquele seria seu último contato com a família, depois de tantas noites e dias trabalhando pela segurança pública, com vários enfrentamentos e tantas ocorrências que não poderia imaginar que naquela tarde estaria morto.

O assalto a uma joalheria no centro de Gravataí poderia ser mais uma ocorrência normal, com os assaltantes presos, os bens recuperados e o trabalho reconhecido como algo corriqueiro e obrigatório, salvar vidas e preservar os patrimônios são as atividades de milhares de brigadianos em todo o Estado.

Porém a ação rápida da Brigada Militar foi rechaçada por violento tiroteio, onde o soldado Avila se viu envolvido, enquanto tentava levar um dos assaltantes para um local adequado para a revista, com mais segurança, mas a confusão permitiu a reação e o tiro certeiro junto ao tórax, fazendo tombar mais um policial na árdua tarefa de servir à comunidade.

O desfecho trágico para o homem que deixa filhos e esposa, desamparados, pois para tais casos o sistema burocrático e frio, suspende o pagamento dos vencimentos, sendo necessário à viúva, encaminhar uma série de documentações para que possa, em alguns meses, receber uma parcela do salário, pois há diminuição de vantagens pela morte do funcionário.

Outro aspecto a salientar é que a promoção a uma graduação acima da de soldado não é garantida pela legislação, somente em casos excepcionais, comprovados mediante processo administrativo, também demorado.

Assim o final de ano dessa família será triste pela perda e se não houver uma mobilização de colegas e amigos para auxiliar, talvez com sérias dificuldades para quitar dívidas e manter a sobrevivência.

A maioria dos policiais mantém um seguro de vida, pois a profissão é de alto risco, nunca sabemos se no dia seguinte estaremos junto a nossos familiares, já que a morte é algo imprevisto, independe de nossa vontade e acontece diariamente, das mais diversas formas, algumas estúpidas e covardes, como a que ceifou a vida do soldado Avila.

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