Sábado, 24 de Junho de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


É difícil entender a morte de 231 jovens e mais de cem vítimas do incêndio na boate Kiss em Santa Maria. As questões que são levantadas envolvem desde o local inadequado para um show de duas bandas, a falta de equipamentos de segurança contra incêndio, as documentações vencidas para funcionamento da casa e a irresponsabilidade de muitos.
Uma boate lotada, muitos jovens numa festa, igual a tantas outras. No palco uma banda. De repente, um dos artistas resolve usar um sinalizador, vindo a iniciar o fogo no teto de espuma, seguranças acionam extintores, que não funcionam.
As pessoas vendo o fogo alastrando-se, correm para a saída. No final de um corredor, uma porta insuficiente para escoar quase mil pessoas de um lugar onde caberiam, no máximo, 400.
O acúmulo de pessoas, o desespero pela falta de ar. Fumaça negra entrando nos pulmões. Mortes por asfixia. Pessoas desacordadas, queimadas pelas chamas, sem chance de fuga. Esquecidas na luta pela sobrevivência dos que conseguem sair.
Bombeiros combatem um fogo fatal, que consume vidas numa armadilha da engenharia inadequada. Encerrada a batalha contra o fogo, aparecem paredes derrubadas, corpos acumulados, cenas trágicas, mutilações e perdas irreparáveis.
Depois a experiência sinistra de retirar mortos e conduzi-los para um ginásio, onde são colocados lado a lado, para identificação de familiares desesperados. Policiais abalados tentando acalmar as pessoas abaladas.
Voluntários surgem para auxiliar no caos, uma tragédia sem precedentes, uma das maiores da atualidade, com vítimas espalhadas por hospitais e clínicas.
Aviões e helicópteros conduzindo vítimas para outras cidades, na luta desesperada pela vida. As queimaduras ou envenenamento pela fumaça tóxica acompanham os sobreviventes.
Autoridades atônitas, vem para Santa Maria, dar uma palavra de consolo, tentam auxiliar num processo de perda coletiva. Todos perdem, somos vítimas de uma tragédia, com diversos culpados, sendo o pior castigo saber que poderiam ter evitado tudo isto. Ganância, despreparo, imprudência, valorização do lucro sobre a vida, negligência, ilegalidades.
Uma faixa negra está sobre o Rio Grande do Sul, estamos todos abalados. A morte de tantas pessoas não pode ficar impune, embora qualquer condenação não recupere 231 vidas.
*Ten Cel BM, Jornalista e Escritor

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