Quarta-Feira, 26 de Julho de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Morador de rua

Durmo na rua. Minha cama é o chão das calçadas, meu cobertor um pedaço de papelão ou um cobertor velho que alguém não queira mais. Minha alimentação depende do que encontrar no lixo, que vasculho, enquanto caminho pelas ruas ou da boa vontade de algumas pessoas que me dão restos de comida.

Normalmente as pessoas não me enxergam, pois pareço invisível quando circulo pelas praças arborizadas, onde tento me proteger do sol, sou uma pessoa que não tem família, pois a que tinha me abandonou, quando não tive mais condições de manter seu sustento e perdi meu emprego.
Os abrigos normalmente recebem pessoas como eu, mas exigem que a gente tome banho, não tome bebidas alcoólicas e nem use drogas, além de ter que obedecer algumas regras de convivência, que para mim são difíceis de cumprir, pois não sou acostumado com ordem e organização.

Assim é minha rotina, não sei se terei alimento para o dia, quando acordo meu corpo doí, pois passei frio durante a noite, dormindo sobre um pedaço de papelão, além de não poder ficar na calçada, logo a loja abre e se não sair me expulsam.

Minhas roupas estão em pedaços, sujas e não tenho hábito de tomar banho, pois não faz parte da minha rotina, sigo tentando achar o que comer nos lixos da cidade que me ignora.

Existem pessoas que se importam com aqueles que moram na rua, fazem caravanas distribuindo comida, levando roupas e cobertas para melhorar nossa vida, mas todos os esforços são insuficientes, por que somos muitos e os voluntários são poucos.

Assisto notícias na televisão sobre maus tratos contra animais, inclusive com manifestações pedindo a prisão de um homem que chutou um cãozinho, fico triste pela morte do animal pela estupidez humana, mas penso nas vezes em que fui chutado com raiva por alguns comerciantes que não me queriam nas suas portas.

Não houve nenhuma manifestação pelo meu braço quebrado, que tive que tratar por conta própria, sem apoio de nenhum hospital, pois não tenho documentos, afinal não existo como cidadão.

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