Domingo, 28 de Maio de 2017 |

Colunista


Falando de Segurança


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Tragédia familiar

A morte do soldado Silva Filho foi consequência de seu trabalho, numa abordagem a criminosos que estavam num veiculo roubado, na luz do dia e com filmagens de vários ângulos, com ampla divulgação na mídia, mostrando o momento exato dos tiros que atingiram sua cabeça e o fizeram morrer.

O autor dos disparos ainda não foi preso, continua solto, enquanto a família sofria pela perda de seu ente querido, que segundo mostrado era responsável e auxiliava no sustento dos pais, enviando mensalmente valores para que esses tivessem uma vida melhor.

Enlutados foram entrevistados para falar de seu filho morto, inclusive com a demonstração de várias imagens do filho vivo, em diversos momentos de sua carreira na Brigada Militar, numa demonstração, segundo minha opinião, de total descaso pela dor da família, visando apenas o sensacionalismo e busca de audiência na televisão.

O mais trágico foi saber que depois dessa visita dos jornalistas, a mãe, já fragilizada, veio a falecer, com um ataque cardíaco fulminante, na noite posterior ao contato com a equipe, insensível a dor, que mexeu novamente com todos os sentimentos, relembrou toda a trajetória do filho e, numa infeliz coincidência, resultou na morte da dona Silvarina.

Não dá para imaginar a dor do pai de Silva Filho, que agora, além de chorar a perda do filho, tem que superar a morte, poucos dias depois, de sua mulher, numa sequência trágica na vida dessa família, que, espero, não seja novamente explorada pela mídia, numa invasão desnecessária da privacidade da dor e do sofrimento.

Espero que o autor dos disparos seja preso e pague pela sua ação criminosa, porém nada vai trazer de volta o sorriso do filho e a companhia da esposa para o seu Luis, que agora sofre duplamente, sem nenhuma estrutura do Estado para apoiá-lo.

Os brigadianos são desconsiderados enquanto estão na atividade, com seus salários defasados e parcelados e quando deixam de servir para a atividade, seja por acidente ou morte, então são completamente esquecidos e abandonados.

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