Tera-Feira, 06 de Junho de 2023 |

Colunista


Política e Saúde


Darci Barth



Novo ano letivo, novas e velhas esperanças.

Iniciou o ano letivo de 2023. Percebe-se uma movimentação diferente pelas ruas. Os estudantes trazem um colorido importante à paisagem cotidiana. Um olhar mais atento sobre a vida percebe a sede de aprendizagem como algo humano. Ir para escola é um direito humano fundamental, pois sacia essa sede. Por tudo isso, a volta às aulas é um momento especial. Antes de avançar, convém destacar que as reflexões aqui compartilhadas tem como foco a escola pública, pois são estas instituições, espalhadas por todos os cantos do nosso país, que garantem o direito à educação para tanta gente.

Na perspectiva do professor, também, o começo do ano letivo é repleto de expectativa. Sou educador há mais de 20 anos. Orgulha-me afirmar que a maior parte da minha caminhada aconteceu em espaço público, fundamentalmente em Alvorada. Ao longo da trajetória, pude compartilhar o friozinho na barriga com os meus colegas, as tensões renovadas e os utopias alimentadas a cada início de ano.

O tempo inteiro, não apenas nas retomadas letivas, é preciso reafirmar que o educador carrega a esperança como base da sua prática. O esperançar, de acordo com Paulo Freire, precisa de elementos concretos, carece de coletivos e sobrevive na ação. Assim, ao alimentar esperanças, precisamos ter clareza dos desafios urgentes.

Felizmente, o cenário apresenta novas perspectivas. As concepções que destilam ódio à ciência, cultura e a arte - em consequência odeiam professores - não estão mais no centro do poder, no que tange ao cenário nacional. Existem feixes de luzes que dissipam a espessa neblina da desesperança. A retomada do investimento em pesquisa, expresso no aumento de bolsas para pesquisadores, mestrandos e doutorandos, é um desses feixes. Ainda, a volta do Ministério da Cultura, assim como o da Igualdade Racial e o das Mulheres, somados à reorganização do Ministério dos Direitos Humanos, representam esperanças para quem pensa na educação com um olhar humanizador. A reorganização da Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização , Diversidade e Inclusão (SECADI), dentro do Ministério da Educação, aponta que teremos políticas públicas que potencializam nas escolas e universidades ações que terão impactos positivos na educação brasileira.

O início de um novo ciclo escolar é fértil para a retomada de antigas lutas. Existem problemas que impedem a garantia do direito à educação para um contingente expressivo da população.
Esperançar é questionar. Quais as políticas públicas para o enfrentamento às questões acentuadas pela pandemia Covid-19, como o déficit de aprendizado e o empobrecimento da população?
Tenciona-se por transporte público que possibilite acesso às escolas e universidades nos grandes centros do nosso país. Como o Trabalhador Estudante chega na escola se não tem ônibus? Por falar em Trabalhador Estudante, quando será aproximada a oferta da Educação de Jovens e Adultos à Educação Profissional na perspectiva da geração de trabalho e renda? A Reforma que precariza o Ensino Médio será revogada? O piso do magistério será garantido em todas as redes de escolas públicas? Os servidores públicos em educação serão valorizados?

Finalmente, compartilho uma questão sobre democracia. Esta é um fundamental para qualquer projeto educacional pautado na esperança. Até quando os diretores das redes públicas de alguns municípios, incluindo Alvorada, serão indicados pelos prefeitos? Por que negar às comunidades escolares o direito de escolha?

Teremos um belo ano letivo em 2023. É preciso esperançar. As luzes da escola pública, gratuita, de qualidade e inclusiva irão prevalecer.

COMENTÁRIOS ()