Quarta-Feira, 21 de Abril de 2021 |

Colunista


Tradição e Cultura


Valdemar Engroff


gaucho.valdemar@pop.com.br


Artistas se reúnem em live beneficente

Um mutirão de solidariedade vai tomar conta das redes sociais neste sábado, em auxílio ao músico Miguel Bicca, que enfrenta problemas de saúde. Liderados pelo poeta Carlos Omar Vilella Gomes, 49 artistas participarão de uma live para arrecadar fundos afim de auxiliar no tratamento do cantor. Entre as atrações confirmadas: Luiz Marenco, César Oliveira, Joca Martins e Juliano Javoski.

Eles doaram seus palas para o leilão virtual a ser comandado pelo poeta e leiloeiro Rodrigo Bauer. Entre os itens a serem leiloados, estão ainda três cavalos crioulos e peças da griffe da cantora Shana Müller. A transmissão será feita pela página Repórter Farroupilha, no Facebook, a partir das 19h. O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) do Rio Grande do Sul apoia a iniciativa. Mais informações com Carlos Omar (55) 99986-2283. Fonte! Sítio Facebook do MTG/RS.

E porque não o bandoneon no fandango?

Nos bailes gaúchos de antigamente (iluminados sob luz de candeeiro), os instrumentos que animavam a gauchada, com o surgimento do tradicionalismo organizado a partir da primeira ronda crioula capitaneada por Paixão Cortes em 1947, e o surgimento do primeiro CTG do mundo – o 35 CTG em 1948, foram a gaita, o violão e o pandeiro.

Mas foram Os Irmãos Bertussi que em meados de 1950 incorporaram a segunda gaita e alguns anos depois, a bateria, que tinha por objetivo aumentar o som, pois não existiam microfones, a amplificação e nem as caixas de som, para os fandangos cada vez maiores em todo o interior gaúcho.

Assim como nos fandangos em todo o Estado, Sul do Brasil e países vizinhos, a rainha do fandango é o acordeom. Alguns grupos de bailes têm também a tradicional gaita de botão, um instrumento de difícil execução e no meio gauchesco destaco Renato Borghetti, Gilberto Monteiro, Chico Brasil, entre outros.

Em maio (2015) eu e minha mãe fomos pras Missões, onde voltamos pros pagos: Cerro Largo, Salvador das Missões e São Pedro do Butiá. Lá fomos num baile da terceira idade, animado por um grupo de Cândido Godoy (Cia Animação Show). Não era um grupo gaúcho, mas tocavam músicas dos nossos fandangos e o que me chamou atenção foi o bandoneon. Achei fantástico, simplesmente espetacular o jeito de tocar, o seu som e a animação que isso gerou no evento. Além disso. Tinha bateria eletrônica, instrumentos de sopro e órgão eletrônico.

Imediatamente “viajei” para o passado distante, quando na década de 1970 ia aos bailes animados pelos Futuristas de Ijui, uma respeitável banda do estilo antigo, com bateria, baixo, guitarra, instrumentos de sopro, órgão e o bandoneon. Por isso não consigo entender por que este instrumento que é muito utilizado no Uruguai e na Argentina, nunca tive a honra e o prazer de vê-lo em execução num palco de um fandango em galpão de CTG.

Em Porto Alegre eu vi Mano Monteiro, exímio bandoneoista tocando “Baile do Sapucay” e outras marcas do nosso cancioneiro e foi de arrepiar. Ainda não tive a honra de ver o exímio Carlito Magallanes e paramos por aí, pois o mercado musical para os bandoneoistas é muito restrito (existem outros fora do regionalismo gaúcho e sul americano). Mas quem sabe um dia alguém faz com o bandoneon o que Os Bertussi fizeram com a introdução do segundo acordeom e da bateria, introduzindo este belo instrumento nos fandangos e bailes gaúchos de todo o Rio Grande e em toda esta terra em redor. Este nosso chasque foi publicado na Revista de Bombacha, de Evandro Hoerle, em junho de 2015.

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