Terça-Feira, 25 de Julho de 2017 |

Município possui pelo menos 120 pessoas morando nas ruas

Tempo de acolhimento no albergue municipal é de 3 meses

Por Redação em 16 de Junho de 2017

"Município possui pelo menos 120 pessoas morando nas ruas" (Foto: Arquivo A Semana)


O caso do morador de rua que morreu após um incêndio em seu casebre próximo a Igreja São José Operário no último dia 3/6, acende o alerta para a situação das pessoas que não tem onde viver no município. Segundo dados do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) de Alvorada, existem pelo menos 120 pessoas transitando pelas ruas do município. Na Casa de Acolhimento Renascer, o albergue municipal, há apenas 20 vagas, todas elas já ocupadas.

O agente social do CREAS, Fabiano Chaves, explica que os moradores que estão na rua são um público migrante devido ao limite de 15 dias em que uma pessoa pode permanecer nos albergues da Grade Porto Alegre. “Os albergues fazem um fluxo muito ruim em que o morador de rua pode ficar 15 dias e depois tem que sair. Então o cara fica 15 dias em Viamão, mais 15 no de Gravataí e depois mais 15 em Porto Alegre. Ele não fica, é obrigado a ter que circular ou ficar na rua. É um sistema feito para dar errado”, opina.

O principal problema dessa política é que, segundo o agente social, a equipe de assistência social do albergue não tem um tempo adequado para fazer um trabalho de recuperação com o indivíduo.

No entanto, o albergue municipal de Alvorada possui uma regra diferente. O tempo de permanência do morador que estava na rua é de 3 meses, segundo Fabiano, o que faz com que haja filas de espera para abrigar-se no local. Apesar da capacidade do albergue ser de apenas 20 vagas (16 masculinas 4 femininas), o agente social diz que há também um trabalho de acompanhamento de quem está nas ruas. “Temos uma média de 60 pessoas acompanhadas por nós, com um plano de ação para elas”, revela. Segundo ele, mais de 80 pessoas já passaram pelo albergue e saíram das ruas: ou voltaram ao convívio familiar ou mesmo conseguiram um emprego no mercado de trabalho.

Características

O secretário de Assistência Social do município, Alexandre Lobão, acredita que as principais causas que levam pessoas a morar nas ruas são drogas e álcool. “Ninguém, em estado normal, consegue sobreviver na rua no inverno se não faz uso de substância”, afirma. Segundo ele, ainda há pessoas que recusam-se a permanecer no abrigo devido às regras de convivência que proíbem consumo de álcool e drogas.

Já Fabiano Chaves, afirma que não existe uma única característica das pessoas que estão no albergue. “Tem de pessoas que ficaram desempregadas e não tinham como pagar aluguel até pessoas que tiveram problemas com dependência química ou alcoolistas. Tem de todos os tipos. Tem gente ali com um grau de instrução que tu se surpreende. Já vi gente com ensino superior. Tem outros que não sabem nem escrever seu nome. Depende de cada caso. Não é aquele estereótipo do viciado em drogas”, conta o agente social que ainda disse que nessa semana um menino de 19 anos saiu do albergue empregado. Ele estava nas ruas pois seus pais haviam falecido.

Investigação

Quanto ao morador que morreu carbonizado citado no início, Fabiano diz que ele havia se recusado a sair do local onde morava por ser assistido pelos vizinhos do local. “Ele ficava dentro de uma área particular. Ali onde ele tava ele ganhava tudo, os vizinhos lavavam a roupa dele, davam comida”, afirma. O agente social afirma que o CREAS vai entrar com um pedido de investigação do caso e que os indícios são de que tenha sido um incêndio criminoso.

Endereço

O albergue municipal de Alvorada fica na Rua Icaraí, 352, no bairro Sumaré.

COMENTÁRIOS ( )