Quarta-Feira, 21 de Abril de 2021 |

Prefeitura pavimenta Rua Estocolmo, mas obra desagrada os moradores da região

Preocupação da comunidade é sobre as enchentes que podem vir no futuro

Por Redação em 26 de Março de 2021

"Mesmo com o asfalto, a comunidade segue insatisfeita com o tratamento do poder público" (Foto: Guilherme Wunder)


No final de fevereiro de 2020, o Jornal A Semana noticiou a obra de pavimentação da Rua Estocolmo. A via seria terraplanada, contaria drenagem pluvial e asfalto até o acesso a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), em uma obra que foi anunciada antes mesmo do projeto da Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN) estar concluído. Cabe ressaltar que esse investimento é uma contrapartida da estatal.

Os valores não foram divulgados. Contudo, o investimento prevê a pavimentação de toda a via, até o acesso a ETE. O motivo é o acesso de caminhões pela via até o local. Além disso, existem mais R$ 300 mil que devem ser investidos na desapropriação de algumas casas no final da rua. Ainda não foram divulgados os prazos para que esses procedimentos ocorram.

Um ano se passou e a reportagem voltou ao local. Foi possível perceber que o asfalto já foi concluído e que boa parte das calçadas também. Em entrevista, o secretário de Obras e Viação (SMOV), Rogério Negreiros, explicou que, nós próximos 60 dias, ainda devem ser finalizadas as calçadas e a sinalização viária. Somente depois disso que a obra será entregue para a comunidade.

O parecer da comunidade

Contudo, os moradores não parecem satisfeitos com a obra. O motivo seria a altura da rua, que ficou bem mais alta do que os terrenos e as casas. “Foi a pior coisa que fizeram para a gente. Eles prometeram aterro para nós e depois não cumpriram. Agora quando chover vai ser pior. Não era para terem feito nessa altura. Imagina como vamos ficar se vier uma enchente grande de novo. Como vamos ficar?”, conta Jairo de Oliveira.

Segundo sua esposa, existe o medo de que, caso enchentes como a de 2015 se repitam, as famílias da região percam todos os seus pertences. “A nossa casa é velha e não temos como aterrar. Não temos como desmanchar e construir de novo. Agora nós estamos em uma represa e, se vier uma enchente, vamos sofrer muito. Nas chuvas do ano passado nós já tivemos de sair de casa”, desabafa Cláudia.

Esse medo não é só dela. Para Gislaine Gomes, a nova rua traz muitos riscos e medos para aquela comunidade. “Em fevereiro eles terminaram de asfaltar. O asfalto ficou bom, mas agora nós estamos alagados. Ninguém ganhou aterro. Ao invés deles ajudarem a gente acabaram levando para outro lugar. Agora quando chove a gente fica em meio a água”, finaliza a dona de casa.

Respostas do Executivo

Negreiros explicou que não havia previsão de alargamento da via, mas sim de ajustes para ficar nas medidas necessárias. Já sobre os moradores, a demanda seria com a Secretaria de Planejamento Urbano e Habitação (SPH). A reportagem tentou contato com o titular da pasta, Eder Fraga, mas não obteve nenhum retorno até o fechamento desta edição.

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