Terça-Feira, 16 de Janeiro de 2018 |

Primeira audiência pública apresenta processos sobre as principais mudanças no transporte público municipal

Evento proposto pelo Legislativo aconteceu na Câmara de Vereadores e contou com a presença da comunidade

Por Redação em 15 de Dezembro de 2017

"Representando o Bairro Germânia, Alessandro Lima foi um dos moradores que questionou a mesa técnica presente" (Foto: Guilherme Wunder)


A Câmara de Vereadores realizou na quinta-feira, 07/12, a primeira audiência pública para tratar da proposta de reformulação da rede de transporte coletivo de Alvorada. O evento, proposto e organizado pelo poder Legislativo, contou com a presença do secretário de Segurança e Mobilidade Urbana (SMSMU), Sérgio Coutinho; do gerente da Viação Alvorada (VAL), Ronaldo Antunes; e de vereadores, servidores da SMSMU, projetistas e lideres comunitários.

Na pauta estava apresentar para os presentes todo o processo, desde 2014,quando foi aberto o processo licitatório, até a implantação – prevista para o dia 02 de janeiro. Após essa etapa, vereadores e comunidade presente puderam questionar os responsáveis pelo projeto sobre melhorias ou mudanças que prejudicam bairros específicos da cidade. Todos os questionamentos foram respondidos pelos responsáveis.

Entenda o caso

No início do mês de novembro, a SMSMU e a VAL anunciaram uma série de mudanças no sistema de transporte coletivo do município. Segundo nota divulgada pela empresa, o objetivo é que os ônibus circulem em rotas mais curtas e rápidas, para facilitar o deslocamento. Com isso, Alvorada contará com linhas circulares que se integram em vários lugares da cidade.

Entre as novidades divulgadas estavam o aumento do número de linhas, que passará de sete para onze e a implantação do processo de integração, tanto com os ônibus municipais como também com os intermunicipais. O projeto era de que essa mudança começasse a vigorar em 18 de novembro. Contudo, além do aumento de linhas, outras mudanças seriam colocadas em prática na data.

Isso porque, com o aumento, haveria uma mudança na nomenclatura das linhas no município. As que iniciam com o código 100 atenderão o eixo leste (Passo da Figueira, São Pedro, Sítio dos Açudes, Nova Alvorada, 11 de Abril e Salomé) da cidade e as com início 200 atenderão o eixo sul (Stella Maris, Aparecida, Jardim Alvorada, Intersul, Algarve, Porto Verde e Terra Nova). Com isso, as linhas L3 e L7 manteriam intactas. Já as demais se dividiriam conforme o eixo.

Legislativo

Na época a Câmara de Vereadores votou e assinou uma moção, cancelando essas mudanças. O Executivo acatou a ideia e adiou a implantação do projeto para o dia 02 de janeiro. O objetivo é de que, neste período, sejam realizadas audiências públicas para debater com a comunidade os problemas que surgiram com tais alterações nas linhas de ônibus do município.

Primeira audiência

Nesta primeira audiência realizada para debater o tema, o consultor do projeto, Fernando Lindner, explicou que haviam sido feitas pesquisas com os alvoradenses para saber quais os principais problemas que a comunidade notava. Segundo Lindner, os pontos mais lembrados foram a longa extensão e a demora em chegar ao centro da cidade.

Conforme explicou o consultor do projeto, ele foi contratado em 2014 pela Prefeitura para realizar melhorias no sistema de transporte público. “O nosso objetivo era identificar os usuários o transporte coletivo em Alvorada, os problemas e características de cada linha e uma reestruturação com a qualificação do transporte dentro do município”, salienta Lindner.

Entretanto, Lindner ressaltou também que o projeto pode sim ter problemas e que é de suma importância realizar esses encontros com a comunidade, através das audiências públicas, para poder aperfeiçoar o novo programa. “Obviamente, é necessário cada vez mais ajustar o projeto. Temos que conversar com a comunidade pra saber o que funcionou ou não, para podermos fazer as correções necessárias”, finalizou o desenvolvedor do projeto.

O secretário da SMSMU, Sérgio Coutinho, falou que o atual sistema de transporte público de Alvorada está completamente ultrapassado e não atende mais as expectativas e necessidades do município. “Nós sabemos, através de pesquisas que a maioria se desloca do bairro para o centro da cidade. Nós precisamos ter uma visão globalizada e não regionalizada, pois nós temos que pensar em todos os alvoradenses”, justifica o titular da pasta.

Quem também fez o uso da palavra foi o gerente da VAL, Ronaldo Antunes, que aproveitou o ensejo para explicar um pouco da realidade da empresa com o aumento populacional e a criação de novos bairros. “Se eu mexo em uma linha para atender outro bairro, eu acabo estragando a integração. Eu não posso mexer nos horários dos ônibus para não prejudicar quem utiliza o transporte público”, salienta Antunes.

Questionamentos

Todos os vereadores presentes e mais cinco membros de associações de moradores de bairros distantes da cidade tiveram o espaço para fazer questionamentos sobre as alterações. Entre os tópicos abordados estavam à falta de apresentação das linhas para a comunidade, um período de testes para conhecer o programa, a qualidade do transporte coletivo, a integração de ônibus no município, a definição de calendário de reuniões.

Os comentários que ganharam mais força dentro da audiência foram à questão da falta de divulgação do material que explicasse o processo.. “Eu acho que, quando cometemos uma falha, temos de ter coragem suficiente para reconhecer o erro e reverter isso junto à comunidade. Essa suspensão do processo serve exatamente para discutirmos junto à comunidade. Esses debates devem seguir acontecendo pelos próximos 30 dias”, explicou Coutinho.

Outra sugestão, apresentada pelo vereador Arlindo Slayfer, falou sobre a possibilidade de se testar as mudanças por um período de 15 dias no início do ano. Entretanto, segundo a VAL, isso não seria possível. “Para a empresa isso é impossível. É muito gasto para pouco tempo. Teríamos de trocar letreiros e linhas e, caso não desse certo, trocar por 15 dias de novo. Isso é inviável”, salienta Antunes.

Encaminhamentos

Nos encaminhamentos para o encerramento da sessão, diversos pontos foram abordados, desde o aumento no prazo para iniciar as alterações até suspensão da implantação do novo sistema. Entretanto, o questionamento que mais chamou a atenção do público presente foi do vereador Leandro Tur, que questionou o secretário Coutinho sobre a possibilidade se cancelar as alterações.

Para o vereador, era importante saber qual seria o posicionamento da SMSMU caso a população não quisesse essa mudança. O secretário Coutinho explicou que a vontade do povo será sim ouvida pelo Executivo. “Todos os estudos e alterações não visavam prejudicar a comunidade e sim melhorar a qualidade de vida da população. Nós queremos proporcionar um serviço que alcance as necessidades. Se a comunidade disser que o projeto inviável, ele não será colocado em vigor”, finaliza o titular da pasta.

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