Sbado, 03 de Dezembro de 2022 |

“Mutação” leva a mensagem das histórias em quadrinhos à Feira do Livro de Porto Alegre

Alvoradenses organizaram evento sobre a “nona arte” no último final de semana

Por Redação em 11 de Novembro de 2022

"“Mutação” leva a mensagem das histórias em quadrinhos à Feira do Livro de Porto Alegre" (Foto: Pedro Kobielski)


A Feira do Livro de Porto Alegre recebeu no sábado, 05/11, o 15° “Mutação” - evento focado em histórias em quadrinhos organizado pelo Coletivo Alvoradense de Quadrinhos (CAQ). Esta foi a volta da atividade após dois anos sem realização da feira, devido à pandemia da Covid-19. Na oportunidade, artistas puderam expor e vender seus trabalhos, e mesas temáticas foram realizados para os presentes. Apesar das dificuldades impostas pelo local, os organizadores avaliam o saldo do evento como positivo.

“Tínhamos muita expectativa”, diz Denilson Reis, professor da rede pública de Alvorada que foi um dos organizadores do evento. “Tínhamos muitas dúvidas sobre como seria esse retorno. Conseguimos fazer nossa parte: organizamos uma linda feira de publicações independentes e mesas de bate-papo muito interessantes”, disse. Seu parceiro na organização, Paulo Kobielski, também professor no município, se somou a Reis na celebração do evento. “Foi muito bacana reencontrar os artistas depois de dois anos. Uma atmosfera de confraternização e alegrias. Artistas que não conheciam o evento se sentiram encantados com o público”, afirma Kobielski.

Porém, o novo espaço disponibilizado pela Câmara Riograndense do Livro gerou debates. Os artistas expositores ficaram na rua, logo, expostos a um fluxo muito grande de pessoas - o que gerou boas vendas. Porém, a sala onde ocorreram os debates ficou isolada, e poucas pessoas acompanharam as mesas. “Penso que a mudança de espaço teve ganhos e perdas”, avalia Kobielski. "Ganho para os expositores, com um grande público circulando pela alameda. Ao mesmo tempo, as mesas de debate ficaram prejudicadas na medida em ficaram num local sem muita visibilidade. Assim, mesas muito boas não tinham um grande público”, completa. Reis segue a mesma linha de pensamento. “Vamos ter que rever essa questão para valorizar mais os convidados do evento”, raciocina.

Adão de Lima Júnior, artista alvoradense que esteve no evento como expositor, celebrou as vendas que conseguiu emplacar - mas se somou ao coro dos organizadores em relação ao local dos debates. “Achei bom o local, com as mesas no lado externo o público se aproxima mais facilmente. Apesar do vento forte e frio, o clima estava bom”, afirma. “(Seria bom) tentar ampliar os dias do evento. Colocar uma caixinha de som fora da sala para o pessoal ouvir o bate-papo (som baixo) e chamar atenção do público externo”, sugere.

Apesar disso, todos ficaram contentes com o evento em si - que se apresenta como uma espécie de trincheira das histórias em quadrinhos dentro da feira do livro de Porto Alegre. “Não existe feira do livro sem mutação”, diz Gelson Wechenfelder, professor universitário que esteve no evento como debatedor. “Como escritor e pesquisador, o mutação foi uma porta de entrada para a feira do livro. Depois de dois anos, reencontrar pessoas, ter o contato de dialogar, é muito bom. Essa volta foi muito desejada”, afirma. “O Mutação une as diferentes pessoas em torno dos quadrinhos. Esses espaços são muito importantes para divulgarmos cada vez mais cultura, arte, educação, pesquisa”, celebra.

O sentimento entre os organizadores é de que, mesmo em meio a dificuldades, o Mutação voltou de forma definitiva. “O Mutação cumpriu seu papel de ser um evento de resistência dos quadrinhos na feira e dar espaço aos autores independentes”, pontua Denilson Reis. “De modo geral, conseguimos, com apoio de artistas, realizar um bom evento. Com boa participação de público, mas acima de tudo poder confraternizar as histórias em quadrinhos. Que venha 2023”, completa Paulo Kobielski.

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