Sábado, 24 de Junho de 2017 |

Ademira dos Santos fala sobre a experiência de desfilar no RJ

Enredo da escola Periferia em 2014, a aposentada conta detalhes do desfile de sua escola, a Mangueira

Por Redação em 03 de Março de 2017

"Ademira veio na ala que representava o povo das águas, no último setor da Mangueira" (Foto: Arquivo Pessoal)


O carnaval do Rio de Janeiro é visto por muitos como “o maior espetáculo da Terra”. Durante quatro noites, desfilam pela passarela da Marquês de Sapucaí desde artistas famosos até cidadãos comuns. Este ano, dentre os milhares de foliões, estava Ademira Santos, enredo da escola Periferia, de Alvorada, em 2014. Defendendo as cores da Estação Primeira de Mangueira, Ademira classifica a experiência como maravilhosa. “É uma sensação boa, de empoderamento, quando se entra na Marques de Sapucaí”, relata.

Para defender o título conquistado em 2016, a Mangueira desfilou com o enredo "Só com a ajuda do santo", que falava sobre a religiosidade do brasileiro. Ademira conta que integrou o último setor da escola, que representava o povo das águas. “Saímos vestidos de marinheiros. A sensação foi maravilhosa. A maior emoção é quando passamos em frente a bateria. Este ano, nossa ala deu uma paradinha para a escola evoluir em frente a bateria. Fomos à loucura”, conta a foliã. A escola do morro da Mangueira é uma das mais tradicionais do carnaval carioca com 18 títulos do grupo especial. Em 2017, era apontada por muitos especialistas como uma das principais candidatas ao bicampeonato. Na escola desde 1998, Ademira conta que este ano o público estava muito empolgado com a escola. “É lindo se ver o público vibrando com a nossa Mangueira. Tem pessoas que só vão na avenida assistir a Mangueira passar. Passamos e as arquibancadas começam a esvaziar”, conta ela contente. A escola foi a última a desfilar na madrugada de terça-feira.

Com 68 anos de idade e com muita disposição, a aposentada fala que costuma acompanhar de perto o carnaval. “Venho ao Rio com frequência para acompanhar o andamento do carnaval da Mangueira. Costumo frequentar alguns ensaios. Venho sempre na final da escolha do samba-enredo. Sou muito bem recebida, curto muito os ensaios. É maravilhoso, gratificante, uma verdadeira aula de cidadania no samba. É lindo de se ouvir toda comunidade cantar o samba, sem bateria, somente vozes. É lindo demais”, emociona-se.

Em 2017, o título do carnaval carioca, depois de 33 anos, ficou com a Portela. Foi o 22º título da maior campeã do carnaval carioca. A escola de samba de Madureira levou o enredo “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar”, que falava sobre os rios pelo mundo. A Mangueira terminou em quarto lugar, atrás de Mocidade Independente de Padre Miguel (2ª) e Acadêmicos do Salgueiro (3º). Para Ademira, houve falha da coordenação de sua escola. “Na minha opinião, faltou um pouco de cuidado da coordenação. Pelo que sei, trancou um saco plástico na roda da frente de um carro alegórico que trancou a escola. Houve um buraco enorme e perdemos pontos em evolução”, lamenta.

Acidentes

O carnaval carioca este ano foi marcado por dois acidentes com carros alegóricos. Na primeira noite do grupo especial, o último carro da escola Paraíso do Tuiuti prensou pessoas contra a grade da arquibancada no setor um da Marquês de Sapucaí. Ao todo, 20 pessoas ficaram feridas. Na segunda noite de desfiles, uma parte de um carro da Unidos da Tijuca afundou e deixou 12 feridos. Na manhã de quinta-feira, 02/03, quatro pessoas ainda permaneciam internadas em unidades de saúde do Rio de Janeiro, três delas com quadro considerado grave. Ademira relata que, no Rio, ficaram todos preocupados com esses acidentes. “Repercutiu muito mal no meio carnavalesco. Alguns acham que foi falta de uma melhor avaliação das pessoas responsáveis. Outros acham que o poder público deveria gerenciar esta supervisão. O que mais me tocou foi a solidariedade das escolas umas com as outras. Todos consternados. Em reunião, os dirigentes das escolas decidiram não haver rebaixamento de nenhuma entidade este ano. Achei muito bonito e solidário o gesto deles”, comenta.

Carnaval de Alvorada

A foliã já está na expectativa para o carnaval de Alvorada, que ocorrerá em abril. Destaque da escola Periferia, do bairro Onze de Abril, Ademira diz ter muito carinho pelo município. “Fiz de Alvorada minha casa. Adoro a cidade, os carnavalescos, me sinto muito bem por aí. Este ano, estarei fazendo parte do carnaval desta cidade que me acolheu de braços abertos. Cantaram e me aplaudiram gritando ‘Ademira guerreira’ quando fui homenageada em 2014. Toda vez que aí desfilo me sinto orgulhosa de fazer parte deste momento”, afirma emocionada. Em 2017, a escola terá como enredo o comentarista de carnaval e futebol Maurício Saraiva. “A expectativa é muito grande, já que no ano passado não tivemos carnaval por aí. Este ano esperamos um grande desfile, como sempre tivemos. Alvorada e os carnavalescos merecem isso. O povo espera para nos aplaudir”, finaliza Ademira.

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