Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017 |

Cavalarianos saem em busca da Chama Crioula na cidade de Mostardas

Grupo vai até a cidade o litoral sul do Estado, onde nasceu Menotti Garibaldi

Por Redação em 01 de Setembro de 2017

"Alguns alvoradenses já estão em Mostardas, aguardando o restante da comitiva para juntos trazerem a chama" (Foto: Divulgação)


Na tarde desta quinta-feira, 31/8, dezenas de cavalarianos saíram da cidade em direção a cidade de Mostardas no litoral sul do Estado, onde nasceu Menotti Garibaldi, filho de Anita Garibaldi, embaixo de uma figueira, para a busca da Chama Crioula.

Conforme Renato Spanhol, subcoordenador da 1ª Região Tradicionalista, após o grupo chegar à cidade de carro e caminhão, eles vão de cavalo, até a figueira histórica, pegam uma centelha da chama e voltam para Alvorada. O roteiro inicia em Mostardas, passa por São Simão, Palmares do Sul, Capivari do Sul, Viamão e no dia 07 de setembro, chega em Alvorada, quando serão abertos os festejos farroupilhas no município. “Geralmente se atinge o sucesso fazendo a cavalgada e isso não será diferente neste ano, tomara que transcorra tudo na maior normalidade possível, é o que sempre torcemos”, disse ele.

Segundo o diretor campeiro, Luciano Buzinello, os piquetes, Quebra Bico e Fundo de campo, já estão em Mostardas e o Pé de Amigo e Estância do Banhado e o CTG Bento Gonçalves da Silva, saíram de Alvorada durante esta quinta-feira, 31/8. “Voltarão de mostardas em torno de 65 cavaleiros num percurso de 200 km, sendo que 15 cavaleiros foram a cavalo direto para Mostardas. A centelha da chama será retirada no CTG Tropeiros do Litoral em Mostardas. Vamos fazer em torno de 35 km por dia chegando no dia 07 de setembro em Alvorada direto para a abertura do Acampamento Farroupilha”, explica.

Culto às tradições

Reunir os amigos, fazer um churrasco, tomar uma boa cerveja ou cachaça e desfrutar de bons momentos contando causos, além de outras coisas, isto é para muitos, o significado de cultuar as tradições. E foi isso o que aconteceu na segunda-feira, 21/8, quando Vladimir Kuse, o Mano, recebeu em sua residência parte do grupo que em 1999 buscou o símbolo considerado como a alma da tradição gaúcha em Mostardas.

Neste ano, seis cavalarianos, vão participar da busca da chama novamente em Mostardas. Vladimir Kuse, Paulo Flach, Arcedino da Silva, Paulo da Olaria, Nelson de Oliveira Prado (sargento Prado) e Luis Henrique de Paula Franzen (Fuca), estarão presentes na cavalgada. Segundo eles, na época o comandante da cavalgada era Elio Azambuja Pacheco, que também vai estar presente na volta para aquele lugar.

Passados dezoito anos desde aquela busca, Paulo Flach e Mano, hoje com 50 e 54 anos respectivamente, falam do início da tradição gaúcha. “Os sete cavaleiros, puxado pelo Paixão Côrtes em 1947, geraram a primeira chama, e pegaram uma centelha e foram a cavalo até o 35º CTG, ali surgiu a primeira ronda Farroupilha”, explica Mano. “Ali foi a semente que eles plantaram e a gente honra ela de lá para cá sempre, reunindo os amigos, com churrasco e um verdadeiro culto a tradição”, conta Paulo Flach.

História

No dia 13 de setembro de 1986, o CTG Chilena de Prata, a segunda entidade tradicionalista da cidade, juntamente com o pioneiro, o CTG Campeiros do Sul, buscou pela primeira vez a Chama Crioula, na Ponte da Figueira, em Viamão.

A Chama veio diretamente para o CTG Chilena de Prata, que ainda estava em construção (esteios cravados e com parte do telhado) e ficou até o dia 17 de setembro, sendo depois levada até o CTG Campeiros do Sul, e extinta no dia 20, data magna farroupilha. Nos anos posteriores, a Chama Crioula também era buscada em Viamão, nas Trincheiras dos Farrapos.

Já no ano de 1997, em reunião, em conjunto com os patrões e os campeiros da cidade, sob o comando de Élio Lemes, ficou decidido que em todos os anos, os tradicionalistas de Alvorada iriam homenagear algum lugar histórico do Rio Grande do Sul. E tudo começou no ano de 1998. “O primeiro foi São Sepé, não pelo lugar histórico, mas por ser um fogo centenário que nunca havia sido extinto que foi o fogo de São Sepé”, explica Mano.

Porém, em 1999 um grupo foi até Mostardas. “Coube a nós ir a Mostardas, foi eu (Mano), Arcedino, Pacheco e o Aparício, que conhecia o responsável de lá, fizemos contato com ele, nos deu os lugares para os pousos e no dia da cavalgada chegamos lá, fomos na figueira onde nasceu o Menoti, acendemos a chama e viemos para Alvorada” lembra Kuse. Eles chegaram às 19h do dia 07 de setembro e foram recebidos pela prefeita Stela Farias na Praça Central, como ocorre atualmente para então, começar oficialmente o Acampamento Farroupilha.

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