Domingo, 27 de Novembro de 2022 |

Dramaturgo Júlio Zanotta recebe leitores na Casa de Cultura Relicário

Premiado escritor esteve em Alvorada na última sexta-feira, 16/09

Por Redação em 23 de Setembro de 2022

"Dramaturgo Julio Zanotta conversa com leitores alvoradenses" (Foto: Pedro Kobielski)


Na tarde da última sexta-feira, 16/09, Alvorada recebeu a visita do premiado dramaturgo e escritor Julio Zanotta. Leitores e entusiastas estiveram na Casa de Cultura Relicário, onde puderam conversar com o escritor e pegar autógrafos. O autor divulga seu último lançamento, ‘Teatro em 10 volumes’ – uma coletânea de textos escritos durante as últimas três décadas de carreira de Zanotta. A obra é uma publicação da editora paulista Giostri.

“Essa é uma coletânea de cerca de 30 textos breves”, conta Zanotta. “O mais antigo é Milkshakespeare – que ganhou o prêmio FUNARTE de dramaturgia e chegou a ser encenado no Teatro de Arena com direção de Camilo de Lélis”, diz, sobre a cultuada peça publicada no início dos anos 1990. O autor explica que a coletânea possui muitos textos contemporâneos, produzidos durante a pandemia da Covid-19. “Foi um período que fiquei recluso e que rendeu muito, escrevi muito”, explica. “Eu nem me importei se estava em pandemia ou não, não saía de casa mesmo, então só comia, dormia e escrevia sem ninguém pra me incomodar”, diz, aos risos.

Vindo a Alvorada pela primeira vez em mais de 40 anos de “trajetória”, como gosta de chamar, Zanotta argumenta que a renovação da arte virá da periferia. “Aí está o novo, o não viciado, aquilo que não está fechado em fórmulas já prontas”, diz, se referindo especialmente à Alvorada. “É muito estimulante vir para cá. Uma cidade que está pertinho, que faz parte da mesma megalópole, mas que nós, que moramos lá no ‘centrão’, não conhecemos. É muito estimulante conhecer uma nova realidade, trocar ideias. Eu reforço: a nova arte virá das periferias”, finaliza.

Um dos leitores que compareceram ao Relicário para conversar com Zanotta é o mágico e agitador cultural Eduardo Toledo. “Eu já conhecia o Júlio. Ele foi um dos fundadores do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz”, relembra. “Também o conhecia do livro Teatro Lixo. Na contracapa dessa obra, tem a seguinte frase: ‘o teatro se faz em qualquer lugar, no apartamento, na rua ou até mesmo dentro do lixo’”, destaca. “É muito importante multiplicar esse saber, principalmente agora nessa era digital – onde conseguimos deixar essa memória viva, que antes era apagada”, conclui Toledo.

O autor

Julio Zanotta Vieira (Pelotas, 18 de agosto de 1950) é um dramaturgo, contista e romancista brasileiro. Aos 20 anos era jornalista do Diário de Notícias, cursava Filosofia e se envolveu no movimento estudantil que lutava contra a ditadura. Em 1973, teve que deixar o país pela primeira vez. Voltou em 1976, quando co-fundou o seminal grupo teatral “Ói Nóis Aqui Traveiz”. Ele ainda voltaria a ser exilado do país na década de 1980. Publicou vários livros, entre eles: Louco, E Nas Coxilhas Não Vai Nada?, Teatro Lixo, O Apocalipse Segundo Santo Ernesto De La Higuera e A Ninfa Dragão. Julio foi presidente da Câmara Riograndense do Livro, sendo o responsável pela modernização da Feira do Livro de Porto Alegre, a qual dirigiu por 4 anos.

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