Sbado, 08 de Agosto de 2020 |

Filmes d'A Semana

Crítica de O Roubo da Taça

Por Redação em 10 de Julho de 2020

"Filmes d'A Semana" (Foto: Divulgação)


O filme foi apresentado no Festival de Gramado e chegou ao circuito nacional de 2016 com a responsabilidade de ser um dos 17 longas-metragens brasileiros que disputariam uma vaga no Oscar do ano seguinte. E, com certeza, a produção conseguiu dar conta do recado e o diretor Caíto Ortiz entregou uma das melhores comédias brasileiras produzidas no século XXI.

A história do filme conta o roubo da Taça Jules Rimet, fato esse que aconteceu em 1983 e que mostra que, desde aquela época, a CBF já era a bagunça que conhecemos hoje. Ortiz constrói o seu longa partindo dessa premissa, inserindo o público dentro da realidade vivida naquela época. E esse escândalo é retratado em uma comédia, gênero que, na teoria, não condiz muito com o momento histórico.

O diretor consegue entregar um filme divertido e que arranca risos, mas sem aquele humor pastelão e sim com algo mais sútil e inteligente, fazendo com que o telespectador pense e ria da bagunça existente naquele período. Outro fator que auxilia nesse quesito é o elenco, que está afinado e muito bem sintonizado. Todos os atores merecem os parabéns, mas os grandes destaques são Paulo Tiefenthaler, Taís Araújo e Fabio Marcoff.

O trio consegue entregar algo muito bem feito e com sacadas geniais. Esse potencial fica ainda mais aparente quando comparamos os outros trabalhos deles. A versatilidade e potencial de ambos são dignas de nota e conseguem enriquecer a produção. Se tivesse que destacar um dentre os três seria Paulo Tiefenthaler, que entrega um personagem típico dos anos 70 e 80, com todos o seu estilo e seus trambiques.

A fotografia do filme, que saiu como original Netflix, e as paletas de cores utilizadas na produção também valorizam ainda mais a direção do filme e todo o trabalho artístico por trás da história. Isso sem falar nos figurinos. Todos esses pontos remetem bem a época e funcionam de forma única na ambientação daquele período. Não existe nenhuma falha nesse quesito.

Um dos poucos pontos negativos da trama está na sua parte final. Nesse momento o enredo do filme foge da resolução do caso e se encaminha para o romance da trama. Não que isso seja um problema, até porque o longa-metragem se inspira na história, mas não busca retrata-la com fidelidade. A questão é que a narrativa perde força porque acaba fugindo um pouco do seu foco inicial.

No final das contas, ‘O Roubo da Taça’ acabou não sendo selecionado para representar o Brasil nas premiações, mas seu lançamento – atrelado a outros bons filmes – significou um sopro de qualidade no cinema brasileiro. Tomara que filmes assim conquistem seu espaço e seu público, pois a produção nacional não pode viver somente de comédias sem histórias por trás e que sirvam apenas para forçar um riso de três segundos.

Estreias da semana

Francis Ford Coppola - O Apocalipse de um Cineasta: Enquanto Francis Ford Coppola filmava nas Filipinas seu clássico Apocalypse Now, sua esposa Eleanor Coppola pegou uma câmera e filmou todo o processo do making-of. O projeto que deveria terminar em 16 semanas, acabou levando mais de três anos para ser finalizado. Isso porque diversos problemas ocorreram como: Interrupções nas filmagens por causa das forças armadas filipinas, problemas com o elenco e um enorme tufão que destruiu diversos cenários.

Feito em Casa: Feito em Casa é uma coleção de 17 curtas-metragens dirigidos por cineastas aclamados de inúmeras nacionalidades. Com duração entre cinco e sete minutos, os episódios retratam a experiência do isolamento social em diferentes partes do mundo e mostram como pessoas de culturas tão adversas lidam com a pandemia do novo coronavírus. Cada diretor recebeu, portanto, a missão de contar uma história emocionante usando apenas os equipamentos que tem em casa.

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