Sbado, 08 de Agosto de 2020 |

Filmes d'A Semana

Crítica de O Homem nas Trevas

Por Redação em 17 de Julho de 2020

"Filmes d'A Semana" (Foto: Divulgação)


‘O Homem nas Trevas’ conta a história de três jovens assaltantes que invadem casas que são asseguradas pela empresa do pai de um deles. Com o sucesso dos furtos, os adolescentes resolvem fazer a sua investida mais ousada: roubar uma grande quantia de um ex-militar cego. O que eles não contavam era com o que o veterano de guerra seria capaz de fazer para proteger o seu dinheiro.

Esse longa-metragem, dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez, é uma grata surpresa quando se fala em filmes de suspense. O problema é que só é possível saber disso depois que se assiste ao filme. Isso porque a produção foi vendida como um filme de terror, o que não condiz com o que se vê na tela. É óbvio que o filme tem a sua cota de sustos clichês, mas ele trabalha muito mais com a questão psicológica da tensão.

O suspense presente é um mérito de Alvarez que também é um dos roteiristas. Durante todo o filme é possível sentir a tensão e o medo ocasionado pelo ambiente construído pelo uruguaio. As reviravoltas da produção conseguem fazer com que quem está assistindo se sinta desconfortável e apreensivo com tudo que acontece. Esse sentimento é tão forte que existem momentos em que a torcida está toda com os três adolescentes.

Outro elemento que beneficia o suspense é a trilha sonora e, por que não, a falta dela. Fede Alvarez consegue construir muito bem essa parte e, tanto os sons quanto o silêncio, são bem distribuídos e auxiliam na narrativa construída para prender o público. O set de filmagens, apesar de surreal, também combina com a temática e é mais um ponto positivo para a produção.

Isso tudo contribui para o surrealismo que destaco, pois não é possível se dimensionar o espaço físico da casa. A desproporção dela da visão de fora para a de dentro é gritante e isso fica ainda mais escancarado quando a trama passa a se desenrolar no porão. Eu nunca havia visto um porão tão grande em toda a minha vida e esse espaço não condiz com o resto da casa.

O roteiro é fechado e consegue concluir todas as tramas abordadas no início. Apesar de ter seus furos como, a trama é bem planejada e pensada para fazer com que o suspense prossiga por praticamente todos os 88 minutos do filme. Os problemas foram os clichês presentes no gênero, construindo conceitos surreais e que podem fazer com que o público perca o interesse.

Apesar de não se ter nenhuma interpretação memorável, os atores conseguiram segurar a bronca e entregar toda a carga dramática e tensa que o filme necessitava. Talvez os destaques sejam os dois personagens que tiveram um maior espaço, que foram Jane Levy e Stephen Lang. Eles entregaram cenas fortes e que ficarão na memória de muitas pessoas, seja pela sua intensidade ou por ser trash demais.

Esse talvez tenha sido um dos grandes problemas do filme: o direcionamento trash que é dado na segunda parte do longa. Existem cenas que fogem do comum e causam risos (ou repulsa) a quem assiste. Apesar disso o filme passa fácil como um dos melhores nesse gênero de 2016, seja por não ter medo de ser ousado e visceral como também por conseguir fugir da vala comum em sua conclusão.

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