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Grafitagem: Um forma de arte, integração e mudança de vida

Manifestações urbanas como a grafitagem estão sendo vistas com outros olhos

Por Redação em 05 de Outubro de 2012

"Grafitagem: Um forma de arte, integração e mudança de vida" (Foto: Arquivo pessoal)


Manifestações urbanas como a grafitagem estão sendo vistas com outros olhos pela sociedade. Oriunda da pichação, prática ilegal que prejudica patrimônios públicos e privados, o grafite é uma forma de demonstrar a arte nos muros da cidade.
Alesxandro Rodrigues de Souza, mais conhecido como Qüim, começou a sua história de grafiteiro com pichações em Porto Alegre. Ele e seus amigos foram influenciados por Toniolo, famoso pichador da capital gaúcha, “A gente via os riscos dele pela cidade e queria ser igual, fazer igual”. No entanto Qüim sabia que essa vida não ia lhe levar a nada. “Um dia um amigo me disse que eu deveria parar com isso, e daí ele me apresentou a grafitagem”.
A partir do conhecimento adquirido nas ruas, Qüim começou a ensinar essa arte no Florestan Fernandes em 2004 e segue até os dias de hoje. Sua agenda é bastante lotada, pois segunda e sexta-feira dá aulas de grafitagem na Escola Emília de Oliveira. Terça-feira na parte da manhã e quinta na parte da tarde no Galpão da Americana. Terça-feira de tarde e quinta-feira de manhã no Centro Fransiscano. Quarta durante todo o dia e sábado até o meio dia no Florestan.
Ele afirma que consegue sustentar sua família vivendo do grafite. É casado e tem uma filha de 11 anos, da qual ele se compromete em incentivar se quiser seguir a mesma carreira do pai. “Ela faz uns desenhos bem bonitos nos papéis e gosta bastante”, afirma ele. Sua esposa também lhe ajuda na pintura de alguns muros pela cidade.
Qüim conta que hoje o preconceito com quem faz este trabalho já diminuiu, mas ainda existe. “Teve uma vez que eu estava fazendo um trabalho de madrugada e a polícia me barrou, até eu explicar o que eu estava fazendo foi uma briga, mas eles entenderam”, conta ele.
Em 2010 participou em São Paulo do 3º Encontro Nacional de Hip Hop, e se orgulha muito disso, pois através da grafitagem que ele pode conhecer outros lugares e se especializar cada vez mais no seu trabalho.
Além disso Qüim também faz faixas, placas e todo o trabalho que aparece. “Tenho que ganhar um dinheirinho, mas hoje consigo escolher qual trabalho eu vou e qual eu não vou fazer, pois já estou muito mais colocado, consegui uma estabilidade na minha vida”.
Dando aulas nestas escolas ele sente que está ajudando as crianças, “Enquanto elas aprendem esta arte eu fico feliz, pois elas poderiam ir para outro caminho”.

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